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Como um bom inglês, Peter Peake teve a ideia para o curta-metragem Pythagasaurus em um pub, ou, no bom e velho português, no barzinho da esquina. Excelente animador, o artista é cria da Aardman Animations. Para quem não se lembra, o ANIMA MUNDI trouxe Sarah Cox, diretora de The Ich of the Golden Nit, e Jay Grace, responsável por Pirates! Band of Misfits, ambos do time do estúdio de animação britânico.

Pythagasaurus

Os personagens Ig e Uk de Pythagasaurus

O estilo autoral da Aardman está impresso na animação 3D, que consegue fazer até as computer generated images (imagens geradas por computador) de uma forma artesanal. Tudo em Pythagasaurus é detalhado, feito à mão, mesmo que com a ajuda de um mouse. O roteiro é certeiro no humor irônico, típico dos nativos da terra do chá das cinco. E as atuações acrescentam ainda mais ao quesito.

Peter conta que escreve seus roteiros com um ator já em mente. Mesmo que na hora da de gravação não seja o determinado artista atrás do microfone, ele confessa que considera importante usar tal referência para uma melhor construção do personagem. No caso de Ig, um dos homens das cavernas do curta-metragem selecionado para o ANIMA MUNDI, as visualizações do diretor se transportaram para o estúdio de áudio na pele de Bill Bailey, o ator imaginado para o personagem. Como a relação de Ig com Uk era bem íntima e pé no chão, ele escolheu Martin Trenaman, amigo de Bill, para interpretar o morador da vila ameaçada.

O estudo para as expressões e fala dos personagens feito pelo animador Pascale Bories

O estudo para as expressões e fala dos personagens feito pelo animador Pascale Bories

Mas teve mais gente envolvida no projeto. De acordo com Peake eram mais ou menos seis profissionais para cada estágio da produção, dependendo da disponibilidade da equipe do departamento de CG (Computer Generated) da Aardman. O esquema do estúdio baseado em Bristol é o seguinte: existem os filmes autorais, que são produzidos com os lucros dos filmes encomendados, e a equipe se dedica a estes quando há uma brecha entre os trabalhos comissionados.

O sistema adotado na Aardman é interessante, pois possibilita que os animadores tenham liberdade criativa e idealizem um projeto sem restrições. No entanto, o tempo para a finalização de um filme autoral é bem maior. No caso de Pythagasaurus, de quase quatro minutos, foram necessários quatro anos, apesar de o tempo consumido para realmente fazê-lo foi quatro meses. O resto foi espera por uma brecha na rotina de trabalho da equipe. Isso que é amor pela animação!

Estudo para o design da animação feito em Flash - mas o software utilizado para a versão final foi o Maya

Estudo para o design da animação feito em Flash - o software utilizado para a versão final foi o Maya