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Anima Mundi

Envolvido por música e por belíssimas animações, Fuga é o mais novo filme de Juan Antonio Espigares. O curta espanhol fez muito sucesso no Anima Mundi e, impressionando a todos que o assistiram, saiu do festival com dois importantíssimos prêmios: Melhor Técnica de Animação e Melhor Concepção Sonora. Já dá para ver que é um tanto especial, não é mesmo?

Curta Espigares Fuga

Antes do Anima Mundi, Fuga esteve em muitos outros festivais, colecionando prêmios por onde passou

A história é sobre Sara, uma talentosa estudante de violino que entra no Conservatório de Santa Cecília. Lá, ela encontra outras maneiras de olhar a realidade, com novas percepções sobre si mesma e seu talento. É um mundo de desafios, competição, imaginação, pesadelos e tristeza, que transforma a vida da menina.

Fuga Juan Atonio Espigares: Sara

O nome do conservatório não é à toa: Santa Cecília é a padroeira dos músicos

A história em si já é cativante, não acha? Pois bem, ela é apenas um gostinho da obra. Não é à toa que o curta foi eleito Melhor Técnica de Animação do Festival. O sensacional animador conseguiu, de um jeito absolutamente brilhante, unir as mais diferentes técnicas de animação, usando 2D e 3D, vários estilos de desenho e sequências em live action. O ritmo é ditado pelas mudanças de cenas e pontos de vista. Cada momento é diferente e tem um novo significado. Simplesmente hipnotizante!

Curta Juan Antonio Espigares

A fuga é definida como a repetição de uma melodia em chaves diferentes, o que, segundo Espigares, representa bem a história

E mais: a música toma conta conta do espaço como se fosse um personagem, encantando a todos que estão do outro lado da tela. Ela não é um pano de fundo, mas sim uma parte essencial da história. Os créditos desse trabalho único vão para Arturo Diez Boscovich, compositor, e para a Orquestra Filarmônica de Málaga. Fizeram em conjunto uma trilha sonora lindíssima capaz de envolver a história e os animaníacos.

Fuga: gravação orquestra

A música do violino é a principal melodia da história

Foi talvez a combinação das animações com a música que produziu esse incrível resultado. De algum jeito quase mágico, Espigares conseguiu fazer com que esses elementos representassem o estado de espírito dos personagens e a atmosfera da história, com sua beleza, seus mistérios e suas reviravoltas. Juntos, esses elementos conduziram o filme com uma impressionante intensidade emocional. Expressões, cenários, ângulos de filmagem, imagens que lembram pesadelos, cores e música caminham para uma obscuridade que mexe com todas as nossas sensações.

Espigares diz que Fuga foi seu sonho de infância virando realidade: uma história em forma de ópera, com música sinfônica original, sem diálogos e com a música como fio condutor. Foi justamente contando isso ao seu amigo e compositor Boscovich que o projeto começou.

Um filme assim tão especial precisou ter, é claro, uma produção muito especial também. Demorou mais de três anos pra ficar pronto, ficando sempre nas talentosíssimas mãos de Juan Antonio Espigares, Alberto Portales, Victor G. Boto e David Lópes Tabernero. É isso mesmo, a equipe de animação foi só de 4 pessoas!

A parte musical foi feita de um jeito um tanto diferente. Em geral, a música é posta quando o filme já está pronto, mas em Fuga não poderia ser assim, não é? Logo depois de ter escrito o roteiro, Espigares separou alguns destaques emocionais da trama, que serviram de guia para Boscovich. Segundo o animador, em entrevista à revista online francesa Prix Format Court,  eles desenvolveram “com sucesso um processo artístico altamente orgânico no qual o trabalho de um inspirava o outro”.

Fuga também se destacou internacionalmente: entre 2012 e 2013 ganhou 17 prêmios ao redor do mundo e foi selecionado para mais festivais do que você pode imaginar! Muito merecido, não acha?

Juan Antonio Espigares fez seu primeiro filme com apenas 19 anos, em 2011, quando lançou “La escalera de Escher” – aliás, quem viu Fuga deve ter percebido influências de Escher em  muitos visuais. O curta foi premiado logo de primeira, no festival Notodofilmfest, com o prêmio Canal+ de Melhor Curta. Fuga Juan Antonio Espigares; las escaleras escher Com o dinheiro ganho, o jovem cineasta começou mais um projeto, o curta “Sere Eretit”, pronto em 2006 e vencedor de vários prêmios. Mais recentemente, ele se dedicou a projetos de desenho industrial, direção e pós-produção digital. Espigares até trabalhou nos efeitos visuais do famosíssimo Além da Escuridão – Star Trek e está agora na produção de Transformers: A Era da Extinção. Mas até hoje, mesmo com todos esses sucessos, Fuga é seu mais pessoal e ambicioso projeto.

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