PT | EN

Todos os anos o Anima Mundi celebra uma nova edição vestido a caráter, já é tradição. A identidade visual é criada sempre por um animador que faz parte da história do festival. E o responsável pelo nosso look 2013 é Juan Pablo Zaramella, grande animador argentino que mostrou muita simpatia em um papo com a equipe do Blog.

Juan Pablo Zaramella

Juan Pablo Zaramella fazendo graça na gravação de um de seus curtas

Zaramella é um animador independente radicado em Buenos Aires, Argentina. Ele começou a desenhar aos três anos. Ainda aos oito, começou a estudar desenho e fazer flipbooks. Daí em diante não parou mais. Aos 24 anos, se formou diretor de animação e deu início à carreira escrevendo, dirigindo e animando curtas.

En La Opera, Juan Pablo Zaramella

Lágrimas são diamantes em “En la Opera” (2010)

Juan Pablo participou do Anima Mundi pela 1ª vez em 2002 com “El Desafio a la Muerte“, que levou o Prêmio de Melhor Curta. O argentino ainda participou outras vezes, acumulando prêmios e mais prêmios com filmes como “Viaje a Marte”, “Sexteens”, “Lapsus”, “En La Opera” e “Luminaris

Luminaris (2011), Juan Pablo Zaramella

Zaramella no set de “Luminaris”

Seu último curta-metragem foi “Luminaris”, brilhantemente produzido em pixilation. O filme conta a história de um homem que vive em um mundo controlado pela luz. Resultado? Mais de 200 prêmios em festivais por todo o mundo, incluindo o Prêmio da Público em Annecy e o Prêmio de Melhor Animação – Júri Profissional no Anima Mundi 2011.

Lapsus (2007), Juan Pablo Zaramella

“Lapsus” (2007) ganhou prêmios em Hiroshima, Annecy, Sundance e, claro, no Anima Mundi

Sem mais delongas, com vocês, Juan Pablo Zaramella!

 

Equipe do Blog: Qual é a sua relação com o festival e com o público brasileiro?

Juan Pablo Zaramella: É muito próxima e leva vários anos. O Brasil é um país particularmente simpático ao meu trabalho, e eu devo isso ao Anima Mundi. Meu primeiro curta-metragem, “El Desafío a la Muerte”, esteve no Anima Mundi 2002 e a partir daí eu nunca deixei de mandar meus trabalhos para o festival.

Em 2005 tive a sorte de estar presente no Rio de Janeiro, quando “Viaje a Marte” levou o prêmio de Melhor Curta. Em 2007, a mesma coisa aconteceu com o “Lapsus”, e isso me deixou muito feliz já que esse prêmio é decidido pelo público. É um sinal de aceitação. Vários dos meus curtas estão editados nos DVDs do Anima Mundi, o que também ajudou na divulgação do meu trabalho pelo país.

EB: De onde você tira a inspiração para o seu trabalho? Qual é o seu desenvolvimento criativo?

JPZ: De todos os lados, não tenho um processo trabalho criativo fixo. Às vezes tenho ideias enquanto desenho, às vezes enquanto escrevo, às vezes fazendo experiências em animação, como em “Luminaris”. Há muitas maneiras de estimular a criatividade.

Também me inspira muito ver o trabalho de outros artistas, todos os tipos de artistas, não só do mundo da animação. Ir a um museu ou ao teatro, ou ouvir boa música. Ver alguém fazer algo criativo também inspira. A criatividade dos outros é um gatilho para sua própria criatividade.

No que diz respeito ao desenvolvimento, eu passo muito tempo pensando em ideias, mesmo quando estou fazendo outras coisas simples e cotidianas, como caminhar na rua ou esperar na fila do supermercado.

EB: Como surgiu a ideia da identidade visual da ANIMA MUNDI 2013? Você é tão bom na cozinha como na foto?

JPZ: Bem, entre esse “fazer outras coisas” que mencionava, pode estar cozinhar. Não sou um ótimo cozinheiro, mas às vezes gosto de preparar a comida e acho que a cozinha e a criação de um filme têm muito em comum. A cozinha funciona graças a combinação adequada de ingredientes. E eu gosto de pensar que o cinema é como uma receita. O que acrescento? Um pouquinho de humor por aqui, um tanto de suspense por lá… A combinação não convencional de ingredientes pode acabar bem.

 

EB: E a pergunta que não se cala: quem é o melhor, Pelé ou Maradona?

JPZ: Acho que prefiro mantê-la sem resposta para não perder amigos! Ou talvez melhor, dou uma dica: o melhor jogador de futebol da história tem cachos e as massas o amam! A resposta é óbvia!