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Anima Mundi

Tyger (2006) de Guilherme Marcondes
O brasileiro Guilherme Marcondes é o primeiro convidado do Papo Animado, que começa hoje às 19h30 na Sala 1 do CCBB. Trabalhando com animação desde o início da década, Guilherme começou sua carreira internacional em 2005, quando dirigiu a campanha de lançamento do Europe Music Awards da MTV. De volta ao Brasil, produziu o curta Tyger, vencedor de mais de 20 prêmios intertnacionais, incluindo dois no festival de Clermont-Ferrand na França e o Prêmio dos Diretores no Anima Mundi. Hoje Gilherme Marcondes atua como diretor independente em Nova York, colaborando com os estúdios Hornet Inc. (EUA) e Passion Pictures (Europa).
Durante o bate-papo com o público, além de Tyger, serão exibidos alguns trabalhos internacionais de Guilherme, como o clipe de Here Comes The Waves, da banda The Decemberists, Mini Animals, produzido para o canal Animal Planet, e a abertura animada de Encarnação do Demônio, último filme de José Mojica Marins com o personagem Zé do Caixão. Mas antes, como aperitivo, adiantamos aqui um bate-papo nosso com o convidado de hoje:
O que despertou seu interesse pela animação?
Guilherme Marcondes: Sempre gostei de desenhar. Desde pequeno lia quadrinhos e assistia tudo em desenho animados na TV, de Hanna Barbera a Lanterna Mágica [programa dirigido por Roberto Miller, exibido a partir de 1985 na TV Cultura] (saudades desse programa!). Por um tempoachei que ia virar ilustrador. Eu tinha uma imagem estereotipada dos estúdios de animação, aquela coisa fordista, uma linha de produção com o Walt Disney chicoteando os desenhos de um lado e os desenhos saindo do outro. Quando visitei a Lobo Filmes em 1999 mudei de opinião. Fiquei deslumbrado com as coisas que eles produziam e consegui arranjar um emprego lá. Aí solidifiquei a minha escolha por animação.
Por que Tyger reúne tantas técnicas de animação?
Meu trabalho autoral é sempre carregado de simbologia, mistério, imagens subconscientes. Não tenho a intenção de explicar nada dos meus filmes, quero intrigar. Do mesmo jeito que um diretor de filmes escolhe certos atores porque o rosto deles passa mensagens antes mesmo dos diálogos, escolho certas técnicas de acordo com a percepção que quero dar para a cena. Em Tyger, eu quis contrastar o “real” filmado com o “falso” animado. O personagem fantástico, o tigre gigante, parece mais palpável que as pessoas animadas que povoam a cidade ao seu redor. Obviamente os manipuladores do boneco são a imagem mais importante do filme, que brinca com a idéia de controle e percepção da realidade. Quem está no controle? O tigre? Os manipuladores? O diretor? A platéia?
Two Little Birds, comercial produzido por Marcondes para o Zune, da Microsoft
Dirigir seus próprios filmes é diferente de trabalhar para um estúdio?
Meu trabalho autoral é influenciado por tudo que aprendo fazendo comerciais, trabalhando em estúdios. Certas técnicas que são adquiridas nos estúdios são depois usadas para fins diferentes nos curtas-metragens. Por outro lado, existe uma diferença básica entre o meu trabalho pessoal e os comerciais que eu faço. Meu trabalho autoral é msiterioso. Publicidade é sempre bem clara na mensagem que quer passar.
Qual sua relação com o Anima Mundi?
O Anima Mundi foi responsável pela minha primeira fagulha de interesse profissional em animação. Até então, eu gostava de animação mas não pensava em trabalhar com isso. Eu assisti literalmente TODAS as sessões da primeira edição do festivam em SP – faltei na faculdade de arquitetura por uma semana. Demorou mais alguns anos até eu tomar coragem e me jogar nesse keio, mas sem dúvida começou ali. O Lanterna Mágica e o Anima Mundi são responsáveis por danos psicológicos irreparáveis. Aqueles desenhos me dão pesadelos até hoje. No bom sentido, é claro.
O encontro hoje é imperdível, mas a sessão dos filmes exibidos será repetida na programação do Anima Mundi junto com os trabalhos de Stephen Hillemburg – confira aqui

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