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Anima Mundi

Guy Charnaux, 26 anos, comemora a indicação de seu filme “A Man called Man na categoria Filmes de Fim de Curso (Filmes de Estudantes) no maior festival europeu de animação, o festival de Annecy.

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Guy produziu o seu curta como trabalho de final no curso de Animação Clássica na Vancouver Film School, no Canadá. A gente conversou com ele para saber um pouco mais sobre sua carreira, planos e, claro, sobre a indicação. Ah! Não se esqueça de indicar, aqui nos comentários, animadores que você gostaria de ver aqui no nosso blog.

Como foi sua experiência na Vancouver Film School?

– Foi incrível, muito enriquecedora, foi certamente o ano mais diferente que eu já vivi. Chegava na escola todo dia às 9h da manhã, saía muitas vezes à 1h da manhã, virava noites desenhando ali com a cara enfiada na mesa de luz. Se me perguntam “Como é Vancouver, a cidade? O que tem pra se fazer?” eu não sei responder, passava o dia todo na escola, até sábados e domingos – não pela escola ser tão exigente, mas por amar estar ali trabalhando e por querer fazer o meu melhor. Na escola fazíamos tudo no papel, o que hoje em dia é cada vez mais raro de se encontrar, e eu valorizava muito aquilo, tanto que decidi fazer meu filme de graduação todo no papel. Amava aquilo, tenho imensas saudades.

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Que tipo de animação você pretende produzir a partir de agora?

– Olha, não há nenhum tipo de animação em especial que eu gostaria de seguir no momento. Estou trabalhando para um estúdio na França desde agosto do ano passado, fazendo animação estilo cut-out digital no Flash para televisão, o que me ajudou enormemente a dominar melhor as ferramentas digitais e a trabalhar e pensar rápido (200 frames por dia, é bem intenso!). Pra mim, qualquer oportunidade que apareça que me permita aprender algo novo ou evoluir como animador tá valendo, seja como for. Quanto aos meus projetos pessoais, gosto de variar o que estou fazendo, buscar estilos diferentes, inspirações diferentes.

Quais são suas principais referências e inspirações na hora de pensar uma animação?

– Eu diria que isso varia fortemente de projeto para projeto, mas se tivesse que citar algumas referências mais perenes (e já digo de antemão que sou péssimo em lembrar nomes e certamente acabarei esquecendo-me de alguns) eu citaria, no campo da animação independente, Bill Plympton, Don Hertzfeldt, Regina Pessoa, Ennio Torresan e Koji Yamamura. No campo da indústria, John Kricfalusi (“Ren & Stimpy”), Tex Avery, Bob Clampett, Chuck Jones, David Feiss (“A Vaca e o Frango”), Genndy Tartakovsky (“Laboratório de Dexter”), Danny Antonucci (“Du, Dudu & Edu”) e Stephen Hillenburg ( “Bob Esponja”), criadores de desenhos animados que foram parte fundamental da minha infância. Também sou bastante inspirado por ilustradores e cartunistas como Robert Crumb, Basil Wolverton e Charles Burns.

Como foi receber a indicação de Annecy?

– Fiquei em estado de choque. Primeiro pensei que fosse algum engano por parte deles, que não era possível, que era bom demais pra ser verdade. Quando saiu no site deles a lista de filmes selecionados e o meu estava lá, aí sim pude ter certeza de que era oficial. Ter um filme feito por mim selecionado pro festival de Annecy era o meu grande sonho, era tudo o que eu queria, mas imaginava que isso só fosse acontecer daqui a muitos anos, não logo agora no começo da minha carreira.

Pra você, qual a importância dos Festivais na carreira de um animador?

– Importância total e absoluta. São não só uma das melhores formas do animador ganhar visibilidade, mas também são os festivais que dão verdadeiro reconhecimento ao animador, que dão um selo de aprovação ao seu trabalho e encorajam os animadores a seguirem fazendo o que fazem. Ser selecionado para um festival te dá reconhecimento, te faz acreditar em seu potencial, e isso te dá combustível pra seguir produzindo. Não ser selecionado pra um festival também te ajuda, pois faz com que você siga aperfeiçoando-se cada vez mais pra que, no futuro, consiga ser selecionado. Também é nos festivais onde os animadores conhecem uns aos outros. E é também, naturalmente, onde podemos ver filmes antes nunca vistos, conhecer novos estilos, conseguir novas inspirações e aprender mais sobre animação.

Como o Anima Mundi influenciou sua carreira?

– Meu pai foi quem me levou ao Festival Anima Mundi pela primeira vez quando eu tinha 5 ou 6 anos. Como era muito pequeno, não consigo lembrar de muita coisa, mas lembro-me muito bem de uma parte da oficina de animação para crianças da qual participei: a parte de storyboard. Foi uma espécie de viagem no tempo, muitos anos depois, na aula de animação do Marcos Magalhães (meu querido grande mestre), quando me deparei com o a folha modelo na qual deveríamos esboçar nosso storyboard e pude notar que era aquela mesma do Festival Anima Mundi, no qual eu estava há 14 anos. É algo bem legal, jamais esqueço disso. Fora isso, foi o Anima Mundi o primeiro grande festival a selecionar um filme feito por mim, na edição de 2013, para a categoria “Olho Neles!”: meu filme de graduação da PUC-Rio chamado “Rindo de Mim”. Foi algo realmente muito legal e encorajador, era um sonho pra mim ter um filme meu na tela do Anima Mundi.

O que você está produzindo agora?

– No momento, como disse anteriormente, estou trabalhando para um estúdio na França chamado Studio Redfrog, numa série de TV infantil chamada “Les P’tits Diables” que vai ao ar na França e no Québec. Quanto a projetos pessoais, no momento não estou trabalhando em nada referente a animação, mas tenho algumas ideias que venho lapidando.

Você tem alguma dica para quem está começando a animar?

– Siga seus impulsos criativos, confie nos seus instintos e ideias – seus, não dos outros. Faça o seu trabalho com muito amor e dedicação, ponha o máximo de si naquilo que você faz. Não tem erro. E mande seu filme pros festivais!

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