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Um novo ano é sempre uma chance de recomeçar: seja em uma nova profissão ou, mesmo, se recuperando de um período anterior que não foi tão próspero. E para se preparar para esses novos desafios, nada melhor do que entender de quem sabe quais são as expectativas para 2016 no mercado da animação. Por isso, conversamos com nosso diretor, Cesar Coelho, que contou a sua visão para esse ano novo.

Na sua opinião, quais mercados tendem a se fortalecer?

A produção de séries para a TV vai, certamente, continuar a ser o cerne da produção de animação no Brasil. Já temos 12 series brasileira no ar e mais de vinte em produção. Ainda há espaço para crescimento nesta área.

Outro ponto positivo é que as séries mais antigas que ainda não tem distribuição internacional, já têm duas temporadas prontas, somando 26 ou 52 episódios. Isso as habilita a tentar o mercado internacional que normalmente compra séries apenas com este número mínimo de episódios. Este é um grande objetivo a ser alcançado: conquistar uma boa parcela do mercado internacional para as séries brazucas.

Acredito que também o segmento de longas metragem de animação vá se fortalecer muito impulsionado pelo sucesso dos longas brasileiros “Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi, e “O menino e o mundo” de Alê Abreu. Aliás, estamos todos na torcida para que “nosso menino” vá à final do Oscar. Já está indicado para a grande lista.

Em quais técnicas você acha importante investir?

Por mais suspeito que eu seja por amar a técnica, acho que os filmes de stop motion vão continuar a se destacar na produção independente de longas.

Eu apostaria, também, em um crescimento de filmes para um público mais adulto. Este público sempre foi um desafio para longas animados, mais por conta do preconceito de produtores e distribuidores que consideram a linguagem de animação infantil. No entanto, assim como os roteiros de animação foram se tornando mais ousados, o público de uma maneira geral está ficando cada vez mais adolescente, não importa que idade tenha.

Cada vez mais adultos assistem filmes de super-heróis e sagas como “O Senhor dos Anéis” e “Guerra dos Tronos”, jogam videogames e colecionam action figures. Assim, a linguagem já não restringe a faixa de público e, sim, serve à mensagem. Ou seja, cada autor busca a linguagem e técnica que mais vai enriquecer e melhor representar sua história.

Se fossem lançados hoje, filmes como “O Estranho Mundo de Jack”, “Noiva Cadáver” e a maioria dos filmes de Miyazaki seriam considerados filmes para uma audiência que incluiria os adultos.

Teremos cada vez mais longas de animação para este público. Dentre estes, os de stop motion contam com um arsenal técnico capaz de criar obras com impacto visual e sutileza que seduzem o público mais exigente, além de sua técnica estar se tornando cada vez mais acessível para estúdios de pequeno e médio porte.

Torço para que, um pouco mais no futuro, esta mudança de paradigma também abra espaço para séries de animação para adultos.

Quais dificuldades você acha que serão enfrentadas pelo mercado?

Infelizmente prevejo que teremos dificuldades que não são novas, mas persistentes:

  • Mais espaço na programação dos cinemas para os longas brasileiros.
  • Envolvimento dos canais abertos na coprodução de conteúdo seriado de animação

 

Mas, então, como driblar essas barreiras?

A distribuição via internet ou VOD (vídeo on demand) é cada vez mais uma possibilidade concreta de viabilizar financeiramente produções independentes. Se você não encontra espaço na programação de cinemas, TVs e canais a cabo, crie o seu próprio canal! Que maravilha!

Mas, tenha calma! O meio ainda está amadurecendo, vai mudar bastante e não se pode dizer que seja uma aposta sem risco, embora já tenha se provado viável. Resta saber se os pequenos produtores de conteúdo vão conseguir se manter mesmo com a concorrência de grandes empresas que já começam a investir neste espaço. A remuneração nesta mídia também ainda é um processo em desenvolvimento.

Temos no Brasil uma saudável relação entre produtores e artistas de animação. Essa união, que sempre encontrou sua casa no Anima Mundi, foi responsável por grandes conquistas coletivas. Por mais que mudem os desafios, espero que esta poderosa aliança resista às agruras e intempéries da competição de mercado. Essa é uma de nossas fórmulas para o sucesso.

E aí, você concorda com o Cesar? Tem alguma dúvida? Alguma expectativa diferente? Deixe suas impressões aqui nos comentários.

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