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Anima Mundi

Olha só que honra! Fizemos uma entrevista com a animadora Viola Baier, que saiu do Anima Mundi 2014 cheia de prêmios. Ela é a criadora do curta Wedding Cake, uma produção 3D que fez muito sucesso mundo a fora. Com a gente, ela ganhou Melhor Curta-Metragem, no Rio, e Melhor Curta de Estudante, tanto entre os cariocas quanto no meio dos paulistas. Na entrevista, descobrimos que ela tem uma trajetória impressionante!

Você frequentou duas escolas muito bem renomadas: a Filmakademie Baden-Wuerttemberg e a Gobelins. Como você acha que cada uma ajudou na sua formação?

Sim, eu fui sortuda em ter a oportunidade de adquirir experiências em ambas escolas. Elas têm abordagens diferentes e as duas são ótimas. A Filmakademie tem uma diversidade maior de currículos nas diferentes formas e campos de filmagem em geral e de animação, o que inclui composição, efeitos especiais, produção em animação, etc. Você consegue explorar tudo o que faz parte do processo. O maior foco é expressar a si mesmo nos filmes. A escola te suporta com uma grande liberdade criativa, com professores experientes e recursos técnicos incríveis.

Na Gobelins, as aulas são muito mais formais, muito mais especializadas no ato e nas técnicas da própria animação. Há também testes e exercícios regulares que são avaliados com notas. Assim, você tem a chance de aprender, melhorar e crescer, focada em um campo da animação. Para mim, a combinação das suas escolas foi perfeita, me ajudou a criar filmes como uma diretora com minhas próprias ideias criativas e a crescer como uma animadora ao mesmo tempo.

wedding cake

Viola também trouxe Manège Magique para o Anima Mundi, curta que ela produziu em seu 3º ano de estudos

Quais foram as maiores diferenças entre os processos de desenvolvimento de Manège Magique, Dance with the Devil e Wedding Cake?

As maiores diferenças foram o tempo que eu tive para produzir os filmes, sua complexidade, duração, técnicas e tamanho das equipes. Você pode dizer que elas são todas produções muito diferentes. Os times de Manège Magique e Dance with the Devil foram muito pequenos e, além de alguma ajuda em filmagens específicas, eu basicamente fui a única responsável pela parte da criação visual. Esses dois filmes são ambos 2D e desenhados a mão, técnica de animação com a qual eu tive maior experiência e me senti mais confortável.

Wedding Cake precisou de um time maior já que foi planejado para ser uma produção 3D com diferentes e complexos desafios técnicos. Eu também não tinha muita experiência no campo 3D. Mas esse fato foi exatamente a minha maior razão para armar o projeto. Eu queria aprender e crescer trabalhando nessa nova técnica e em um ambiente de uma grande equipe. Tudo tinha que ser planejado e coordenado de um modo muito mais preciso e havia muito mais “fatores incertos” do que nas minhas produções anteriores. Eu aprendi muito com cada um dos meus filmes, mas definitivamente aprendi mais durante a produção de Wedding Cake, quando me forcei a sair da minha zona de conforto.

Wedding Cake tem um visual incrível. Conte-nos um pouco das técnicas e do processo criativo.

Bom, primeiro, obrigada pelo elogio, em nome de todos os envolvidos! Eu tive um ótimo diretor técnico a bordo, Niko Wuttke, que desenvolveu comigo o estilo que eu queria em 3D. Comecei pintando em 2D as cenas principais do filme. Nessas imagens, eu determinei as cores exatas, as definições de iluminação e o estilo das texturas. Queria criar um visual de desenho à mão nas imagens 3D. Um look que, hoje, ainda é muito complicado de alcançar em filmes 3D. Niko estava fazendo uma série de testes e nós achamos a abordagem mais estável/sólida e econômica para alcançar o estilo desejado.

Nós usamos texturas desenhadas à mão que eles desenharam em preto e branco para cada personagem. Elas eram colocadas em sombreadores em Houdini (nosso software escolhido para iluminação e rendering), e o preto e branco era traduzido em cores.

Também havia um arranjamento de luz muito complexo que Niko desenvolveu para a gente. Os artistas fizeram um trabalho ótimo em traduzir minhas imagens 2D em um 3D muito detalhado. O visual teve um papel muito importante na produção do filme. Fico muito feliz que ele ganhe elogios e não fique sem ser notado, já que o time fez um trabalho incrível em alcançar minhas expectativas perfeccionistas.

wedding cake 3

Além dos curtas, Viola já fez inúmeras produções como freelancer

Nós soubemos que você está trabalhado como animadora nos Minions! Deve ter sido uma mudança muito grande em comparação com os filmes que você fez durante seus estudos. Nos conte um pouco sobre isso.

É claro que em um estúdio grande tudo acontece em uma escala profissional muito maior. Mas eu fiquei supresa: algumas situações me lembraram das coisas que eu experienciei durante minhas produções como estudante. Para mim, isso é uma confirmação de quão bem a abordagem de produção da Filmakademie te prepara para o trabalho na indústria. As maiores experiências para mim no projeto dos Minions foram estar cercada por artistas de ponta vindos do mundo todo, a paixão por animação, a quantidade de incríveis talentos e, é claro, as amizades que fiz.

wedding cake 3

A animadora já estagiou na grande companhia londrina Framestore

Você já tem alguns novos trabalhos ou ideias em mente?

Sim, felizmente. Depois de acabar Wedding Cake, eu estava bem esgotada e disse a mim mesma que precisava de um tempo antes de assumir a responsabilidade de dirigir meus próprios filmes de novo. Por enquanto, estou apenas escrevendo minhas ideias. Fora de um ambiente de escola, é muito difícil fazer seus próprios filmes, devido a financiamento e recursos, e eu não tenho nenhuma experiência em como fazer essa abordagem. Se tiver alguma ideia, me avisa!

O curta Wedding Cake foi eleito pelo público como melhor curta-metragem da edição carioca do Anima Mundi 2014

Os protagonistas de Wedding Cake são dois bonecos de marzipã

Qual o seu maior sonho?

Como animadora, meu maior sonho é criar personagens que realmente pareçam vivos. O exemplo que eu sempre gosto de dar são os personagens das animações da Disney: eles sempre pareceram muito reais para mim e eu era loucamente apaixonada por Aladdin na idade de seis ou sete. Eu luto para chegar no ponto em que minha animação faria personagens tão reais que as criação poderiam se apaixonar por eles. Meu maior sonho em geral é fazer algo significativo com a minha arte, algo que provoque reflexões, emocione, eduque e talvez até mude o jeito das pessoas pensarem.

 

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