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Anima Mundi

Hoje o nosso bate papo é com o Andrei Duarte, animador, ilustrador e voz do personagem Irmão do Jorel, da série de mesmo nome de Juliano Enrico, co-produzida pelo Cartoon Network Brasil e Copa Studio. Ele contou um pouco sobre essa experiência, como começou na carreira e deu dicas muito valiosas para quem quer investir nesse mercado. Confira abaixo.

foto_entrevista_idjFoto: Hugo Picchi

– Conte pra gente um pouco sobre a sua carreira: por que decidiu trabalhar com animação? Como começou?

Quando eu era bem moleque eu dizia que se eu não conseguisse ser nem caminhoneiro e nem astronauta, eu trabalharia com desenhos animados. Aí um dia meu irmão chegou da escola me mostrando um flipbook que ele tinha feito na beirada de um caderno dele. Foi aí que eu decidi ser animador. Vinte e dois anos depois, num curso de pós-graduação em animação da PUC-Rio, tive aulas com o Cesar Coelho, com a Aída Queiroz e com o Marcelo Marão, que me passaram todo o embasamento técnico que me faltava. No término de uma das aulas da Aída, em 2008, fui chamado pela Campo 4 para intervalar uma vinheta que estava em produção. E o legal é que as animações lá eram feitas ainda no papel! Trabalhei como intervalador no começo e depois como animador fazendo a abertura do piloto do programa “Norma” (apresentado pela Denise Fraga) e também no curta “Os Elementos”, criado pelo Cesar Coelho. Depois dos freelas da Campo 4, em 2010, comecei a trabalhar no Copa Studio, ora como animador, como nas séries “Tromba Trem”, do Zé Brandão, e “Historietas Assombradas”, do Victor-Hugo Borges, ora como ilustrador, conceituando todo o universo da série “Irmão do Jorel”, do Juliano Enrico.  

 

– Como foi o processo de ser escolhido para fazer a voz do Irmão do Jorel?

 

Foi pura sorte! Eu estava no lugar certo na hora certa, quando estávamos fazendo o piloto do Irmão do Jorel. Enquanto eu conceituava os cenários, locações e objetos de cena, eu costumava gritar fazendo várias vozes escrotas. Num desses surtos de gritaria eu tentei imitar o toque do celular de um colega do estúdio com uma voz fina e estridente que eu fiz para o meu primeiro curta, o “Biscoito de Bosta”, anterior ao piloto do Irmão do Jorel. Um dia o Juliano chegou no estúdio dizendo que precisava gravar umas vozes guias para montar o animatic do piloto e que eu faria a voz do Irmão do Jorel com a tal voz fina e estridente. No dia seguinte, o Juliano disse que tinha gostado da voz que eu fiz para o Irmão do Jorel e que nem iria testar outro ator. Uma semana depois o Juliano voltou do teste com vários atores, mas que não teve jeito… a voz tinha que ser a minha.

Irmao do Jorel 9

– Além da dublagem, como mais você atua na série? Anima um ou mais personagens?

 

Além de ser a voz original do irmão do Jorel e, ainda, dos personagens Beto Cachinhos e Rambozo, eu também sou o ilustrador responsável pelos conceitos dos cenários e locações da série. Crio todo o universo do Irmão do Jorel tentando traduzir em desenhos o que foi descrito por palavras nos roteiros. Quando trabalhei como animador nas séries “Tromba Trem” e “Historietas Assombradas” eu costumava animar vários personagens. Não tinha muito essa de “ah! o personagem tal só o fulaninho que pode pegar para animar”, salvo algumas exceções, todos os personagens passavam pelo menos uma vez na mão de cada animador.  

 

– Como é sua história com o Anima Mundi?

 

Frequento o Festival Anima Mundi desde que o festival começou. Quando eu tinha mais tempo, eu sempre dedicava pelo menos dois dias do festival para passar o dia inteiro saindo de uma sessão para entrar em outra, comendo o que desse para comer e na hora que desse para comer porque sabia-se lá quando eu teria oportunidade de assistir de novo àqueles filmes que estavam em cartaz naquele ano. Principalmente filmes do leste europeu que esteticamente eram muito diferentes das coisas que eu estava acostumado a assistir.

No ano de 2011 eu participei da 19ª edição do Festival com o meu primeiro curta, o “Biscoito de Bosta”, que era uma vinheta de 30 segundos para o filme “Engolelogoumajacaentão” (o terceiro da série “Engolervilha”, idealizado pelo Marcelo Marão). Neste filme temos a estreia da voz que eu uso para o Irmão do Jorel nas telonas, na última vinheta.

 

Mas acho que foi em 2009 que se deu minha estréia no Anima Mundi como animador, quando eu trabalhei para a Toscographics na série “Negão Bolaoito Talk Show” do Allan Sieber.

 

– Pra você, qual a importância de festivais de animação?

 

Eu, como animador/ilustrador, me ligo bastante nas questões e soluções estéticas dos filmes de animação e, particularmente, vejo os festivais de animação como importantes plataformas para ampliar os repertórios estético e cultural. Os festivais são importantes porque através deles ficamos sempre antenados no que acontece nos outros continentes, tanto em termos estéticos, quanto em termos histórico-culturais. Aprendemos sobre hábitos e costumes de locais onde nunca estivemos, da forma mais divertida possível. Para mim, uma sessão do Festival Anima Mundi vale quinhentas vezes mais do que uma aula de história ou de geografia numa sala de aula de uma escola tradicional.

 

– Tem alguma dica pra quem está começando?

 

Sim! Estude bastante animação! Tenha sempre o livro “Animators Survival Kit”, do Richard Williams, próximo de você. Pratique animação/ilustração todos os dias. Em animação só se aprende praticando muito. Então, meta a cara. E se você for um cara preguiçoso, desista. Porque o animador/ilustrador tem que ralar muito para conseguir resultados estéticos e movimentos fluidos e satisfatórios.

Outra dica legal é assistir aos filmes dando pause e passando o filme quadro a quadro para entender onde estão as poses chaves, os breakdowns e os intervalos. Assista a filmes do Charlie Chaplin e sketches do Mister Bean para estudar expressões faciais e corporais e antecipações. Os movimentos deles são bem caricatos e têm tudo a ver com os filmes de animação.

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