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Anima Mundi

A produção, que faturou o Prêmio Canal Brasil do Anima Mundi 2013, já foi selecionada para outros 30 festivais nacionais e internacionais

Após muitos amores, aventuras e histórias inesquecíveis, Ed tornou-se um coelho depressivo

Sabe aquele coelho de olhos vermelhos, pelos branquinhos, orelhas bem grandes? E se ao invés de ser fofinho e adorável, ele fosse um marginal depressivo? Com uma narrativa marcada por flashbacks, a animação “Ed“, dirigida por Gabriel Garcia, traz uma abordagem complexa para a vida de seu personagem principal.

Veja a lista completa e os trailers dos vencedores do Anima Mundi 2013!

A produção, que faturou o Prêmio Canal Brasil do Anima Mundi 2013, já foi selecionada para outros 30 festivais nacionais e internacionais. Conversamos com Gabriel, um dos fundadores do estúdio Hype, sobre o início da carreira em Porto Alegre, seu primeiro e já premiado curta e planos para o futuro.

Ele e seus sócios entraram no mundo da animação de forma, digamos, pouco artística. Mas não demorou muito para que a vontade de criar algo próprio batesse à porta. O estúdio, que inicialmente oferecia ilustrações e passeios virtuais para construtoras, passou a produzir animações publicitárias e, agora com “Ed”, entrou com o pé direito no mundo do cinema!

Abaixo vocês conferem a entrevista com Gabriel Garcia…

Como e quando você começou a se envolver com animação?

Meu primeiro contato com o mundo da computação gráfica foi em 1995. Eu tinha 14 anos quando fiz um curso de um software 3D, em Porto Alegre. O software em questão era o 3D Studio R4 (futuro 3D Max) e rodava em MS-DOS ainda… Não sei como, mas aquele programa me fascinou, fiquei impressionado com o que eu podia fazer com aquilo (e olha que na época não fazia muita coisa). Dali comecei a gerar minhas primeiras imagens e logo que entrei para faculdade comecei a explorar mais animações em computação gráfica.

Para conhecer melhor o processo de criação, assista ao vídeo abaixo!

Quando decidiu abrir o Hype Studio?

Me formei em Arquitetura na UFRGS em 2006. Durante a faculdade comecei a oferecer ilustrações em 3D dos projetos para meus colegas (mais conhecido como maquete eletrônica). Em 2002, fundei a Hype Studio, juntamente com meus sócios Fernando Balvedi e Maurício Santos, oferecendo ilustrações e passeios virtuais para construtoras e incorporadoras. Após formados, fundamos nosso estúdio de arquitetura, e hoje trabalhamos na mesma sede, mas como duas empresas e equipes distintas: a Hype Studio Arquitetura” e a Hype.cg, atuando hoje com animações para o ramo e publicitário e iniciando no cinema.

Making-of…

Como surgiu a ideia para o roteiro de Ed?

Chegou um momento em que não estávamos plenamente satisfeitos com que fazíamos, queríamos produzir algo nosso. Conversando com a equipe, todos se entusiasmaram muito com a ideia de produzir nosso primeiro curta-metragem. Meu irmão, Leo Garcia, trouxe sua experiência como roteirista e juntos escrevemos a história de Ed. Queríamos um fim inesperado e ao mesmo tempo passar uma mensagem. Depois de muito trabalho e revisões chegamos nesse conceito de um coelho suicida, narrando sua personalidade através de flashbacks de sua vida para saber como ele chegou até aquele estado.

Porque escolheu usar coelhos como personagens?

Coelhos são sempre considerados bichos bonitinhos e inocentes, então imaginamos contrapor nesses personagens problemas da nossa realidade como depressão e vícios. Outro motivo da escolha foi por causa das orelhas. Por causa das orelhas longas, podíamos reforçar as emoções nos personagens (orelhas baixas quando estão deprimidos ou esticadas quando estão em alerta).

Timelapse da equipe de “Ed” trabalhando no curta…

O curta impressiona pelos detalhes gráficos. Conte um pouco sobre o processo de animação…

O projeto todo levou três anos para ser finalizado. Não tínhamos como trabalhar full-time nele. A maioria do tempo usado no estúdio era para os trabalhos comerciais, então trabalhávamos fora do expediente. O maior problema é que tínhamos muitos personagens para animar e pouca experiência na área de animação de personagens. Quem nos deu uma grande força foi o Bruno Monteiro, sócio da On Fire, que assumiu a Direção de Animação e, junto com o Messias Cunha, coordenaram uma equipe de 17 animadores de diferentes locais do Brasil. Optamos pela estética mais realista pois era um “know how” que já tínhamos da época do mercado imobiliário, mesmo sabendo que isso poderia acarretar mais tempo para renderização (alguns renders chegaram a durar quase 8 horas por frame!).

Como foi a experiência de contar com apoio de financiamento coletivo para o filme? 

Em 2010 nosso roteiro foi selecionado no Edital do Minc e recebemos um verba para produzir o curta. Porém faltando pouco para o fim, nosso dinheiro acabou e optamos pelo financiamento coletivo no site www.catarse.me para sua finalização. A experiência foi muito boa, pois além de conseguirmos atingir o valor pedido, tivemos uma ótima divulgação pela visibilidade do site.

Tem planos para exibição internacional do curta?

Sim, acabamos de voltar de uma viagem pelos Balcãs, onde nosso curta foi exibido em festivais da Bósnia, Croácia e Romênia. “Ed” já foi selecionado para aproximadamente 30 festivais (nacionais e internacionais).

Como você vê o mercado de animação no Brasil?

Acho que tanto o mercado de animação no Sul quanto no Brasil estão numa ascendente. Cada vez mais estão surgindo escolas especializadas em animação e produção digital no país, sem contar com ótimos cursos online que acabaram com as barreiras físicas. Estamos também num ótimo momento para produção de conteúdo para a TV, devido a nova lei da TV paga. Tenho certeza que teremos uma ótima safra de longas e séries de animação em breve no Brasil.

Quais os projetos para o futuro?

Estamos inscritos no edital da TV Escola para produção de um curta de animação sobre um conto de Machado de Assis e também com um projeto (em fase bem inicial) de uma série de animação.

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