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Anima Mundi

Já contamos aqui a história por trás do primeiro longa-metragem de animação brasileiro. Anélio Latini fez todos os desenhos de Sinfonia Amazônica em cores, mas não havia verba para comprar negativo colorido, apenas o tradicional preto e branco. Não vimos as cores de Latini. Na verdade o cinema de animação só foi saber o que era isso vinte anos depois. Pelas mãos de Ypê Nakashima.

Modelos e estudos

Modelos e estudos dos personagens do filme Piconzé

Nakashima emigrou com a mulher e filho do Japão, após estudar na Escola de Belas Artes de Kyoto e servir no batalhão antiaéreo de Nagasaki, onde caiu a segunda bomba atômica americana. Ele já trabalhava como ilustrador e cartunista nos melhores jornais do país, mas os problemas remanescentes da guerra foram maiores do que o sucesso profissional.

Ipê e Emiko Nakashima

Ypê e sua mulher Emiko Nakashima, com quem se casou ainda no Japão

Ele resolveu começar do zero em São Paulo, onde a televisão dava os primeiros passos, e as agências de publicidade surgiam. O ano era 1956 e ele logo se integrou à comunidade japonesa. Aos poucos, de bico em bico, ele conseguiu montar seu estúdio. E o seu interesse por animação começou. Produziu curtas e comerciais, como o clássico comercial Já é hora de dormir dos Cobertores Parahyba. Assista no link: http://www.nucleovirgulino.com.br/ypenakashima/ype_publi_parahyba2.htm

E aflorou outro interesse em Ypê: o rico folclore e lendas regionais do nosso país. A junção dos dois resultou em Piconzé, o primeiro longa brasileiro de animação em cores, lançado em 1972. Mas a produção do filme começou seis anos antes: ao todo foram 25 mil croquis. Nakashima teve que se virar para produzir tantos desenhos, e utilizou inclusive caixas de sapatos e recortes de revistas, para dar um aspecto 3D. Fotos de anúncios de forros, por exemplo, se transformavam em árvores, trazendo maior textura aos desenhos.

Árvores de recortes

As árvores feitas de recortes de fotos de forros. Fez ou não fez diferença?

Ele revolucionou não só nos materiais utilizados, mas também no roteiro: o herói do seu filme não tinha superpoderes. Piconzé é um menino nordestino, que tem apenas sua coragem para recuperar sua namorada Esmeralda e a paz na sua cidade: ambas foram roubadas por Bigodão e sua trupe. Ele topa com várias figuras folclóricas como o Saci e Curupira, que o ajudam nessa missão.

Cartaz

Cartaz do filme, lançado em 1972

Mesmo enfrentando a falta de recursos e profissionais capacitados para ajudá-lo, Nakashima lançou Piconzé. E quarenta anos depois, um documentário foi produzido sobre o filme e a vida de seu autor. Ypê Nakashima é dirigido por Hélio Ishii, e foi exibido no ANIMA MUNDI 2009. O Núcleo Virgulino, responsáveis pelo projeto, disponibilizou Piconzé na íntegra em seu site. Além disso o próprio documentário pode ser visto no canal deles no Youtube. A primeira parte está abaixo, aproveite e deixe sua opinião!

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