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Animação é arte. Mas também é técnica. Muita técnica e muita paciência para executá-la. Afinal, deve-se dar a ilusão de que o impossível é possível: conceder movimento a objetos inanimados.

Podemos fazer isso graças a um fenômeno na visão humana chamado persistência retiniana. Graças a ela, quando vemos uma série de imagens se substituírem muito rapidamente, não conseguimos notar a passagem de uma para a outra e temos a ilusão de movimento.

A velocidade é crucial, pois é a partir de 10 quadros por segundo que o cérebro humano deixa de perceber as imagens individualmente. Mas a quantidade de desenhos por segundo varia muito. Ela depende do estilo do animador, se é uma série de TV ou para o cinema, se as cenas são lentas ou com muita ação… São muitos fatores. A grosso modo, pode-se dizer que para um curta de 10 minutos sejam necessários de 4 a 10 mil desenhos. Um longa, de 30 a 100 mil. Haja disposição!

Stop motion

Nick Park no set de A Fuga das Galinhas

Nick Park no set de A Fuga das Galinhas

No caso da animação stop motion, deve-se dar movimento a bonecos tridimensionais de massinha, barro ou até de arame. O filme A Fuga das Galinhas (2010) deu muito trabalho a seus diretores Pete Lord e Nick Park: para filmar apenas um segundo e meio era necessário um dia inteiro no set. Foram várias equipes trabalhando simultaneamente para finalizar o filme em 18 meses.

 

A tecnologia e o artesanal

O primeiro longa-metragem feito inteiramente em animação computadorizada foi Toy Story (1995), dirigido por John Lasseter. A então novata no mundo da animação digital Pixar, que na época ainda não tinha produzido nenhum longa, se uniu à pioneira Disney, que estava numa maré baixa depois de sua era de ouro do meio do século XX. A soma de tradição com inovação resultou em um grande sucesso: o filme foi a maior bilheteria do ano, algo que nunca tinha ocorrido com uma animação. Além disso, dali nasceriam duas sequências que arrecadaram ainda mais: Toy Story rendeu 360 milhões de dólares, Toy Story 2 arrecadou 485 milhões e Toy Story 3, mais de um bilhão de dólares.

Com as próprias mãos, ou com ajuda de computação gráfica, animar não é moleza. Toy Story custou 30 milhões de dólares e precisou de 110 animadores para ser feito, já O Rei Leão teve orçamento de 45 milhões de dólares e empregou 800 profissionais. Muita gente dedica muito tempo de suas vidas para que a gente possa aprender e se emocionar com animações incríveis. Afinal, não dizem que arte é 1% de inspiração e 99% de transpiração?

Um dos croquis usado para a elaboração das personagens

Um dos croquis usado para a elaboração das personagens de Toy Story