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A série “Mulheres fantásticas” apresentou, no último domingo, a história da cantora e compositora Dona Ivone Lara. O segundo episódio do programa, sobre mulheres que marcaram o mundo e que vai ao ar no Fantástico, falou da trajetória da artista, desde a infância até sua morte, em abril do ano passado. A animadora Analúcia Godoi foi a responsável em transformar a vida da rainha do samba em animação.

— Assim que recebi o convite da Aida Queiroz [diretora de animação do projeto], comecei a pesquisar sobre a vida inteira da Dona Ivone Lara. Me marcou muito a forma como ela se expressa nas suas músicas, de maneira tão pessoal — conta Godoi. — Eu quis contar isso nos detalhes, quis trazer muitas texturas para o desenho. Usei lápis e carvão, variando papel com tecido, para deixar o traço mais artesanal.

A ideia da animadora era criar algo que fosse pintado no papel e composto no computador. Godoi desenhou diversas fases de Dona Ivone Lara; de quando era criança, com os pais, ao período que trabalhou como enfermeira até se tornar a primeira compositora de samba-enredo. Detalhes importantes da vida da cantora também são lembrados no vídeo. Ao longo da animação, um passarinho aparece junto com Dona Ivone Lara. É uma menção a uma de suas primeiras canções, “Tiê-tiê”.

É a primeira vez que a animadora trabalha com uma equipe exclusivamente feminina. Uma das principais propostas do quadro do Fantástico era que todas as etapas de produção da série fossem feitas por mulheres. Para Godoi, esse foi uma oportunidade incrível e única nos seus quase 20 anos em que trabalha no mercado da animação.

— De cara, quando recebi o convite, fiquei muito animada e com um certo frio na barriga. Apesar de ter ficado um pouco insegura de bancar uma animação sozinha como autora, a equipe me deixou bastante à vontade e me encorajou de colocar a minha voz, os meus traços, nessa história — explica. — Foi, desde o princípio, um trabalho muito colaborativo. Acho que pelo fato de nós sermos mulheres, e estarmos contato histórias sobre mulheres para mulheres, fez com que nos identificássemos com o trabalho. Poder se reconhecer em uma personagem, tanto como autora quanto espectadora, é algo muito importante e que precisa acontecer mais vezes.