PT | EN

A série “Mulheres fantásticas” estreou nesta semana no Fantástico. O projeto, que mistura animação com documentário, surgiu de um coletivo de autoras da Globo, que queriam contar histórias para meninas sobre mulheres que marcaram o mundo. O quadro do programa semanal da Globo conta com uma equipe exclusivamente de mulheres e tem como diretora de animação Aida Queiroz, uma das diretoras do Anima Mundi. Para fazer os seis episódios do programa, Aida convidou seis animadoras diferentes. O primeiro capítulo foi feito por Rosária, responsável pela animação sobre Malala Yousafzai, ativista paquistanesa ganhadora do Nobel da Paz e que sofreu um atentado do Talibã quando tinha apenas 17 anos.

Rosária foi responsável por todo o processo de animação do episódia da Malala; desde os desenhos até animar as ilustrações. Com narração da atriz Taís Araújo, a parte animada tem cerca de 1 minuto de duração e mostra um pouco da trajetória da ativista paquistanesa. A intenção era que o filme tivesse uma estética mais parecida com o recorte.

— Para animar, trabalhei com 12 desenhos por segundo, mas reaproveitei alguns para que desse essa impressão de recorte. Alguns elementos se movem muito pouco, enquanto outros são mais animados — explica.

É a primeira vez que Rosária participa de um projeto feito só por mulheres. Em um coletivo com outras trabalhadoras da área, a animadora já falava sobre como iniciativas assim eram necessárias — uma forma de estimular e incentivar mais mulheres no mercado da animação.

— Há tempos temos conversado da importância de projetos que sejam feitos só por mulheres. E essa série é uma grande oportunidade para mostrar que isso pode ser feito, que uma equipe assim não deixa a desejar em nada em termos de qualidade ou competência — explica Rosária — A nossa relação como mulher no mundo da animação é tão delicada e a gente já entra no mercado em desvantagem, então por que nós não nos incentivamos a fazer mais projetos assim? “Mulheres fantásticas” serviu como estímulo para que isso aconteça mais vezes.

A animadora conta que, no geral, os homens são maioria nos estúdios de animação, muito por conta da característica do setor.

— Como esse é um mercado mais informal, muita coisa funciona por indicação e, por isso, os homens já começam com essa vantagem. Naturalmente, por ter mais homens nos estúdios e por existir essa espécie de camaradagem entre eles, eles acabam se indicando para os trabalhos. Embora eu tenha trabalhado há anos com homens, no geral, fui menos indicada por ser mulher, por ter menos esse tipo de contato que eles têm entre si.