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“Em animação, gosto da liberdade de criar. Tudo é desenho, o orçamento não se altera se a história passa numa loja ou na Lua”, contou o único animador brasileiro a participar do Papo Animado em Belo Horizonte. Marcelo Marão é animador há dezesseis anos e tem muita história para contar.

Marã

Marão no Papo Animado no Rio de Janeiro: sessão cheia!

A relação de Marão com o ANIMA MUNDI começou há tanto tempo que já pode ser chamada de casamento. Daqueles bem animados. Um dos primeiros trabalhos do animador foi nas oficinas do Estúdio Aberto. Ele inclusive se revezava na função e na sala de cinema do festival, para assistir aos seus filmes.

Um deles foi a sua primeira animação, Cebolas São Azuis, seu projeto de conclusão na Escola de Belas Artes da UFRJ. Marcelo passou dois anos e meio escrevendo, pintando e animando os sete mil acetatos que compõem os doze minutos do filme. E no Papo Animado do Rio ele já deu a dica: “Tentem fazer a sua primeira animação com no máximo dois minutos. Em filmes maiores, qualquer problema que vocês tiverem vai se tornar ainda maior“.

Cebolas São Azuis

Cebolas São Azuis: dois anos e meio para ser finalizado

O filme foi selecionado para o ANIMA MUNDI em 96, ano em que apenas cinco curtas brasileiros marcaram presença no festival. Mas, pelo menos pode-se dizer que a presença foi marcada e foi marcante: Cebolas São Azuis ganhou Menção do Júri Popular no festival, algo inédito até então para um filme brasileiro.

Com o prêmio na mala, Marão se mudou para São Paulo, onde trabalhou animação para publicidade. A dificuldade dessa transição será assunto no Papo Animado. Mas apesar dos problemas de percurso, o animador fez mais um filme autoral, Chifre de Camaleão. Marão trabalhava todos os dias à noite, e todos os finais de semana na mesa de luz em seu pequeno apartamento. A história conta o cotidiano de um quintal de uma casa, onde vivem um bebê e um camaleão. Há várias informações verídicas sobre o animal, como que cada globo ocular do réptil tem rotação independente, e que quando o macho encontra uma fêmea, exibe seu chifre para atraí-la.

Chifre de Camaleão

Chifre de Camaleão: ficção baseada na biologia

Neste filme, como cada traço era desenhado a lápis, com zero interferência digital, foi preciso que cada cenário fosse redesenhado a cada frame. O aspecto artesanal é presente em todos os trabalhos de Marão, que têm como uma das características o estilo pencil test, que dá uma sensação de inacabado. A carreira do animador é marcada por uma estética longe da “perfeitinha”. Ele descreve seu curta Engolervilha, por exemplo, como “grosso, de mau gosto e escatológico“.

E aí vai perder? Além do bate papo com o animador, que promete fazer jus ao nome do evento, no Papo Animado com Marão serão exibidos todos os filmes autorais do animador, incluindo algumas peças publicitárias. Esperamos vocês por lá!

Veja como foi no Rio!