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Anima Mundi

É verdade que muitos dos filmes que passam pelo Anima Mundi são para crianças, mas, na edição de 2014, nós tivemos um super longa animado destinado aos animaníacos adultos! Alguém aí assistiu Cheatin’? Ele foi dirigido por Bill Plymton, um grande animador americano que é inclusive considerado o Rei da Animação Indie. Ele é a única pessoa a ter desenhado à mão um longa-metragem inteiro e já foi indicado duas vezes ao Oscar. Não é pouca coisa, certo?

Longa metragem Bill Plymton

Plymton tem sua própria produtora, a Plymptoons

A história do filme é de amor, ciúmes, vingança e até mesmo assassinato! E, segundo Plymton, tem muita nudez e violência, mas sem nunca faltar o senso de humor adulto e surrealista do animador. No longa, Ella e Jake se conhecem em um acidente de carro e se apaixonam assim, à primeira vista. Pouco tempo depois, já estão casados e vivendo uma vida perfeita.Mas tudo começa a ir por água abaixo quando uma mulher, interessada por Jake, conta uma mentira sobre Ella. Vingativo, ele começa a trair a esposa; a partir disso, tudo se complica ainda mais. Só para você ter uma ideia, Ella, com a ajuda de um feiticeiro, assume a forma das amantes do marido. Será que essa é a mais forte prova de amor? Afinal, ela o ama tanto que prefere fazer parte de suas traições a deixá-lo. Para refletir, não é mesmo?

Longa metragem Bill Plympton

Quando Plymton tinha 14 anos, ele mandou para a Disney alguns cartoons e ofereceu seus serviços como animador. Eles responderam que seus desenhos eram promissores, mas que ele era ainda muito jovem

A inspiração para a história veio da própria vida de Plymton! Ele conta que, há mais ou menos 15 anos, se apaixonou por uma mulher e começou uma linda relação. Mas com menos de dois meses morando juntos, ele já queria estrangulá-la, ao mesmo tempo em que continuava se sentindo muito atraído por ela. Segundo o diretor, Cheatin’ é justamente sobre isso: como uma relação tão perfeita e maravilhosa pode mudar e virar tão problemática e feia e, ainda assim, ser envolvida por sentimentos ambíguos.

Bill Plympton

A trilha sonora do filme é de Nicole Renaud, que teve como desfio compor músicas que se adequassem ao filme, que é, de certa forma, similar a uma ópera: é melodramático e cheio de paixão

Assim como seus outros filmes, Cheatin’ foi construído com desenhos à mão do próprio Plympton. É isso mesmo, os mais de 40 mil desenhos foram feitos por ele. Simplesmente incrível! Mas, no longa, o diretor usou pela primeira vez pinturas em aquarela. Sabe o que isso significa? Que todos esses desenhos tiveram ainda que ser coloridos! Segundo Plympton, o resultado foi um estilo quase impressionista, nunca antes visto em seus filmes.

Também seguindo o caminho da maior parte das suas produções, Cheatin’ não tem diálogos. De acordo com Plympton, existem inúmeras razões para isso, como orçamento, tempo e distribuição. Mas, talvez a mais importante esteja no fato dele acreditar que o filme tem uma “poesia real” quando se usa o visual para contar toda a história. A essência disso está em mostrar a história, e não falar sobre ela.

Bill Plympton

Plympton diz acreditar que o número de animadores independentes continuará crescendo

Plymton se orgulha muito de seu status de cineasta independente. Sua pequena produtora conta com pouquíssimos artistas que, juntos, conseguem fazer produções sensacionais. A equipe de Cheatin’, incluindo editor, compostor e design de som, teve menos de 20 integrantes. Mas, mesmo com o orçamento baixo, Plymton encontrou dificuldades para conseguir fundos para o projeto. Por isso, criou um crowdfunding que deu super certo!

Essa não é a única boa notícia: junto com o crowdfunding, ele começou um vlog no Vimeo para mostrar passo a passo de sua produção. É isso mesmo: todo mundo pode conferir o processo criativo de um dos maiores ícones da animação!

Plymton acredita que seu filme, agora já vencedor de mais de dez prêmios internacionais, vai mostrar para os Estados Unidos que existe audiência para filmes animados adultos. Isso é algo que ele tenta fazer há anos e parece que nunca esteve mais perto de conseguir. Vamos torcer!

Bill Plympton

Em Cheatin’, Plympton criou, ela primeira vez, criou uma protagonista feminina!

Estamos imaginando que você já virou fã de Plymton, então que tal saber mais um pouquinho mais da carreira do animador? Ele se formou em Design Gráfico, em Portland, e se mudou para Nova Iorque em 1968. No início de sua carreira, desenhava cartoons para publicações que iam desde o New York Times até a Playboy. Eclético, não é mesmo?

Cartoon

“Quando eu era uma criança assistindo a filmes da Disney, eu nunca sonhei que poderia fazer meu próprio longa animado. Agora, eu já fiz sete deles. É um mundo ideal”

Sua primeira indicação ao Óscar foi em 1987, com Your Face. Depois, em 2005, recebeu outra pelo curta Guard Dog. Mas, se no Oscar ele acabou não ganhando, em Cannes ele fez o maior sucesso! Em 1991, com Push Comes to Shove, ele levou para a casa a Palma de Ouro. Cheatin’ é seu sétimo longa-metragem animado, mas, se você achou que ele só animava, nada disso! O cara também faz live actions, atua e fez até um videoclip pro Kanye West. Que produção!

Esperamos que Cheatin’ ainda ganhe muitos prêmios pelo mundo todo e que seu sucesso inspire mais produções de Plympton! Inclusive, ele está na lista de pré indicados ao Óscar de Melhor Animação! No que será que isso vai dar? E qual será a próxima história do diretor?

[Essa matéria foi modificada depois que saiu a pré seleção do Óscar!]

 

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