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Anima Mundi

Hoje em dia a tecnologia já é amiga íntima dos animadores. Técnicas de computação gráfica são cada vez mais comuns nas produções e até impressoras 3D facilitam a vida de diretores em algumas animações. No meio de tudo isso resgatar um jeito antigo e complicado de animar parece loucura. A diretora Michèle Lemieux resolveu topar o desafio e assim nasceu o filme Le Grand Ailleurs Et Le Petit Ici.

O curta foi exibido no ANIMA MUNDI 2013 e saiu vencedor do prêmio de Melhor Técnica de Animação. Michèle utilizou a tela de alfinetes ou pinscreen, uma técnica já quase extinta, desenvolvida pelo russo Alexandre Alexeïeff e sua esposa Claire Parker, lá em 1930.

Alexandre Alexeïeff e sua esposa Claire Parker criaram, em 1930, uma das mais difíceis técnicas de animação da história: o pinscreen

Alexandre Alexeïeff e sua esposa Claire Parker criaram, em 1930, uma das mais difíceis técnicas de animação da história: o pinscreen

O pinscreen é uma técnica conhecida por ser extremamente trabalhosa, uma das mais complicadas na animação. É mais ou menos assim: você pega uma tela rígida de lona branca perfurada por milhares de alfinetes de cor preta, que ficam afastados a uma distância muito precisa e bem calculada. Daí então o trabalho é com a luz. Quando se ilumina os alfinetes, a sombra deles sobre a lona cria áreas escuras, variando do preto até o cinza claro. A intensidade da cor muda dependendo da profundidade de cada alfinete. Quando os alfinetes estão totalmente penetrados na lona, a área fica branca. Dessa forma Alexeieff criava imagens em preto e branco que podiam ser modificadas pela posição da luz ou pela alteração da posição dos alfinetes.

Poucos artistas ousaram explorar a técnica, tanto que só há um instrumento desses em funcionamento, guardado na National Film Board, no Canadá. Norman McLaren foi quem levou o equipamento para lá, já que era grande admirador do trabalho de Alexandre. Depois dele, o canadense Jacques Drouin se interessou pelo processo e manteve o aparelho em uso, até se aposentar. Então, Drouin passou o bastão, ou melhor, os alfinetes para Michèle.

Confira o curta Le Grand Ailleurs Et Le Petit Ici:

 

Em Le Grand Ailleurs Et Le Petit Ici, as imagens e a animação são todas feitas artesanalmente. Só a finalização recebeu tratamento digital. Ela disse, em uma entrevista, que procurou evitar o uso da tecnologia em seu filme. “Em criatividade, tecnologia nem sempre ajuda. Na verdade, estar completamente privada do comando ‘desfazer’ é extremamente interessante para a criação. Ficamos obrigados a usar aquilo que acontece”, declarou. Quando um erro acontecia, não era ao Photoshop que ela recorria. “Há algo muito perfeito no Photoshop que me impede de reproduzir pequenas imperfeições do pinscreen”, revela.

Como herdeira da tradição, ela garante que vai restaurar um outro equipamento fora de uso atualmente na Europa, e vai continuar criando com ele. E ainda completa: “é importante manter estes instrumentos vivos. Caso contrário, eles morrem“.

Não vamos deixar os alfinetes morrerem! =)

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