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Esse não foi o primeiro ano em que as animações em stop motion arrasaram no Anima Mundi! Lá atrás, em 2010, o vencedor de Melhor Longa-Metragem do nosso festival foi Mary e Max – Uma Amizade Diferente, dirigido pelo ilustre Adam Elliot. O filme fez o maior sucesso, sabia? Ele ganhou o Prêmio de Cristal, no Annecy, além de prêmios no Festival de Animação de Stuttgard, no Animafest Zagreb e em muitos outros lugares!

Dá uma olhada em parte da crítica que saiu sobre o filme, no Dark Horizons:

Aqui está um filme que explora, com um latente senso de de realidade, solidão, amizade, vida, amor e morte. É um filme sobre aqueles tropeços pelo caminho que nós todos atravessamos em nossas vidas, e, para muitos de nós, há elementos daqueles complexos personagens enterrados em algum lugar do nosso subconsciente”.

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Em 2014, o grande vencedor do Anima Mundi, Padre, foi feito em stop motion também!

A história é um tanto sombria e triste, mas é muito linda também. Mary é uma menina de oito anos que mora na Austrália, nos anos 70, e que leva uma vida um tanto infeliz. Ela não tem amigos, seus pais são super problemáticos e a maior parte de suas conversas é com seu galo de estimação. Um dia, olhando em uma lista telefônica, ela decide escrever uma carta para alguém que mora em Nova York e, por pura coincidência, escolhe Max. Ele tem 44 anos, é obeso e tem Síndrome de Asperger, tendo uma vida bastante solitária. Os dois começam então uma incrível amizade! Mas, vinte anos depois, as coisas se complicam, e a vida dos dois é inundada por brigas, mortes e traições. Será que a amizade deles vai sobreviver a tudo isso?

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O filme tem aproximadamente 132,480 quadros individuais!

Sabia que essa história é um tanto pessoal para Adam? Ele até tem um amigo de correspondência e os dois ainda se comunicam por cartas! Olha o que ele disse em uma entrevista a ScreenCrave:

Eu diria que meus filmes são como pinturas, eles são realmente expressões pessoais de mim, e eu tenho problemas até mesmo em assistir meus filmes, eu fico muito emocional”.

O longa tem um atmosfera um tanto sombria, que foi, justamente, o objetivo de Adam. Na entrevista, ele disse que

o motivo pelo qual meus filmes são sombrios é porque a vida é sombria, meus filmes são um reflexo da vida e, se você não tem o sombrio, a luz não tem nada para se comparar, a luz não tem nenhum significado (…) Meu filme está só refletindo minhas próprias experiências na vida, e nós todos tivemos nossos dias bons e nossos dias ruins, então porque animações não podem ser assim?”

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Esse foi o maior set e foi feito pelo departamento de arte inteiro, que precisou de 2 meses para completá-lo!

Todo esse sucesso que Mary e Max teve não foi fácil! Do roteiro à tela, o filme levou quase cinco anos para ser concluído, acredita? Foram 57 semanas de filmagem, com uma equipe de 50 pessoas e uma média semanal de dois minutos e meio de animação!

Adam, além de dirigir e escrever o filme, fez o design de todos os personagens. Sabia que ele se inspirou nas fotografias pretas e brancas de Diane Arbus, que exploram a diferença? Inclusive, em um breve momento do filme, aparece uma personagem inspirada na própria Arbus. Ela está olhando pela janela na abertura da montagem de Nova York, então, da próxima vez que você for assistir, não esquece de procurar!

Os conceitos de design dos cenários foram feitor pela Square i, que conta com uma equipe incrível! Tudo foi, primeiramente, desenhado à mão e, depois, construído, também à mão, pelos profissionais. Foram horas e mais horas de trabalho para que fossem feitos 133 cenários separados. Pelo que vimos, valeu super à pena!

Você deve ter percebido que os bonecos tinham uma estrutura um tanto complexa e que foram muito bem feitos! No total, foram 212 bonecos, construídos com vários materiais diferentes. Mais impressionante ainda foi o número de bocas: mais 1026 foram usadas para deixar mais reais as expressões e falas dos personagens. Max, sozinho, teve mais de 30 bocas!

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Além de muitas bocas, foram feitas 886 mãos de plasticina!

Ficou querendo saber um pouco mais sobre a mente criativa que criou o filme? Adam é um diretor australiano independente que já fez filmes sensacionais! Ele começou com Uncle, em 1996, e, desde então, já fez Cousin, Brother, Harvie Krumpet e Mary e Max. Se você acompanhou o Óscar de 2004, deve lembrar que Harvie Krumpet levou para casa o prêmio de Melhor Curta Animado. Desde então, Adam é super requisitado em Hollywood, mas escolheu ficar na Austrália e fazer filmes de jeito que ele bem quiser, sem nenhuma exigência comercial ou algo do gênero. E, pelo que parece, deu muito certo!

Esperamos que Adam continue fazendo filmes assim! Mal podemos esperar por sua próxima história animada!