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Sarah Cox é uma inglesa de fala mansa e personalidade tímida. Ela contou sobre sua carreira e apresentou filmes que animou e produziu no Papo Animado de ontem. Esta nativa de Liverpool contou as dificuldades de crescer numa cidade na qual todos trabalhavam em fábricas, e quem se interessasse por arte era provocado, zombado.

Still "Heavy Pockets"

Still do curta autoral "Heavy Pockets", dirigido por Sarah

Ela utilizou justamente a arte para expurgar esse sentimento de exclusão, e apresentou um curta autoral que aborda o assunto. Heavy Pockets, de acordo com Sarah, é  “sobre a importância de ter o direito de ser diferente“. A história se passa nos anos 80 (época que a inglesa passou sua infância em Liverpool) e acompanha a vida de uma menina que é zombada e chamada de “freak” por colegas do colégio. Mas ela tem um segredo: a menina pode flutuar, e utiliza as pedras que jogam nela como peso nos bolsos (daí o título) . A animação inclui live-action, filmada com crianças não atores.

A temática infantil é constante nos trabalhos de Sarah. Ela explica: “Crianças são muito cruéis, mas também muito fortes e interessantes“. A animadora não ficou só no tema: para realizar o curta-metragem The Itch of the Golden Nit ela recebeu uma missão do Tate Museum de Londres: “um filme no qual qualquer criança da Grã-Bretanha pudesse participar”.

Sarah Cox e Troféu 2012

Sarah Cox ganhou o Troféu ANIMA MUNDI 2012 (Foto: Oswaldo Reis)

Cada grama, cada tábua de madeira foi desenhada por crianças (ao todo cem participaram só na feitura do navio pirata), que se envolveram nos workshops realizados pelo país, e também pelo site. Acabou que deu certo: o filme The Itch of the Golden Nit reuniu 34 mil crianças, desde do desenho da grama até a trilha sonora. Saiba mais sobre o projeto aqui.

“Não deveria ser eu para dizer às crianças o que fazer. Queria que elas me usassem, e todo o poder da Aardman Studios, para fazerem exatamente o que eles queriam fazer” – contou Sarah, que frequentemente trabalha em conjunto com o estúdio de Bristol, mas também é presidente e diretora criativa do seu próprio, o Arthur Cox. Sarah também contou sobre como ocorreu o seu início nessa arte. Ela estudou artes na Royal College of Art, mas se considera auto-didata na animação. Apesar da influência da Disney nas crianças há muitas décadas, ela conta que assistiu a muitos filmes da empresa, mas que não é esse o seu caminho: “Não queria isso para mim, não é o que quero passar para as crianças”.

Sarah Cox também irá bater um papo com o público paulista no Memorial (sala 2), dia 25 de julho, às 19h. Nos vemos lá!

Platéia no Papo Animado com Sarah Cox

Platéia no Papo Animado com Sarah Cox no Rio