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Anima Mundi

Os trabalhos de David O’Reilly não têm muita coisa em comum com os de seus companheiros de faculdade. O estilo digital “cru” nas animações pode parecer frio, mas esconde muitas camadas de sensações que o jovem de 28 anos procura passar em meio a narrativas sutis, cheias de humor negro e certo suspense psicológico. Convidado do Papo Animado este ano, O’Reilly vai explicar um pouco sobre seu processo criativo, que foge do óbvio em uma relação de amor e ódio com sua obra.

O estilo digital “cru” nas animações, apesar de frio em um primeiro momento, esconde muitas camadas de sensações

O’Reilly trabalhou dos 15 aos 18 anos na Cartoon Saloon, na Irlanda, onde aprendeu a desenhar e ganhou noções básicas de animação digital

O’Reilly pode causar certo estranhamento à primeira vista. Mas passado o contato inicial, seu trabalho se mostra profundo, em contradição com o design simples de seus filmes. “Há uma forte tendência nos projetos do gênero em começar com uma música e depois adicionar animações, o que pode dar muito certo. Mas no momento estou trabalhando no sentido contrário”, conta o artista irlandês, que valoriza o silêncio como ferramenta na construção de narrativas.

O’Reilly pode causar certo estranhamento à primeira vista. Mas passado o contato inicial, seu trabalho se mostrar profundo, em contradição com o design simples de seus filmes

The External World: mais recente trabalho de O’Reilly, curta ganhou mais de 40 prêmios em festivais por todo o mundo em 2010

O principal objetivo de sua obra é estimular áreas do cérebro que normalmente não são trabalhadas em abordagens “tradicionais”. “Há algo de poético em redesenhar um mundo a partir de um software, por mais que a interface que uso não seja nem um pouco poética no sentido usual, sem traços líricos”, defende. No curta “Please Say Something”, com animações em 3D sem texturas, reflexos ou outros acabamentos, o artista busca a autenticidade defendida pelo cineasta françês Robert Bresson. Uma certa imparcialidade no uso das imagens.

Fã do inexplicável, O’Reilly prefere explorar conceitos obscuros para ele mesmo. “Aquela ideia que você não entende muito bem, que não é resultado de uma equação lógica na sua cabeça, é o que me interessa. Algo que mexa com emoções. Provavelmente quanto menos você conseguir entender, mais forte é a ideia e mais escondida está a emoção”. Por isso a preferência por uma estética neutra. O’Reilly acredita que seu design genérico e sem expressão permitem um contato maior com a mensagem a ser passada. Uma corrente, segundo ele, forte no cinema, mas raramente vista dentro da animação.

Além dos curtas, o artista foi convidado pela banda compatriota U2 para produzir o clipe da música “I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight“, em 2009. O resultado você confere abaixo:

Vai dar bobeira? Aproveite a chance de trocar uma ideia com mais essa fera!

 

Papo Animado – David O’Reilly

Rio:
8 de agosto
Fundição Progresso (Sala 2)

Ingressos: R$10 (R$5, a meia)

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Telefones:
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