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O cinema de animação brasileiro até os anos 80 era feito de maneira amadora e esporádica. Sem acesso a equipamentos, cursos ou livros sobre o tema, os artistas produziam individualmente e sem oportunidades de levar seu trabalho ao público. Mas em 1985 isso começou a mudar, o Brasil iniciou sua caminhada para se tornar celeiro de profissionais reconhecidos internacionalmente e a casa de um dos maiores festivais de animação do mundo.

John Grierson à direita, fundador da National Film Board of Canada

John Grierson à direita, fundador da National Film Board of Canada

Essa virada não seria possível sem o apoio do National Film Board of Canada (NFB), uma instituição do governo canadense que produz e distribui filmes feitos em seu território. O NFB tem a filosofia de representar a diversidade cultural do Canadá e por isso possui dois centros, um em Toronto e outro em Montreal, além de dez estúdios espalhados pelo país. Fundada em 1938 por John Grierson, essa organização hoje produz longas-metragens, curtas e séries de ficção, infantis, documentários, animações e experimentais. Muitas experimentações, é essa a principal marca do National Film Board.

O logo do NFB foi originalmente criado por Geoges Beaupré em 1969: uma figura com os braços para cima, ligados formando um arco acima da cabeça, parecendo um olho. O logo acima é a mesma figura, atualizada pela Paprika Communications.

Experimentações principalmente na animação, setor criado pelo lendário Norman McLaren, revolucionário desde o início de sua carreira. A falta de uma câmera não foi suficiente para que ele desistisse de animar: recorreu, então, à animação em película, desenhando e pintando diretamente no material. Ele explorou essa técnica e muitas outras artesanais durante seu período no NFB, que durou desde o convite de Grierson em 1941 até a sua morte, em 1987.

Norman McLaren fundou o departamento de animação da NFB, onde fazia suas experimentações com desenho em película e outras técnicas

Foi um pouco antes de sua morte que o acordo de cooperação técnico-cultural entre Canadá e Brasil possibilitou o estágio de três brasileiros no NFB. Marcos Magalhães foi um deles. O hoje diretor do ANIMA MUNDI produziu seu primeiro curta de destaque na instituição canadense, Animando (1983), filme aclamado por McLaren. Na sua volta ao país, Marcos teve a missão de dar início à profissionalização da área. Identificou quem estava produzindo animação no Brasil e montou uma turma, utilizando equipamentos e professores cedidos pelo NFB, dando início à parceria desta com a EMBRAFILME.

Foram nessas primeiras aulas que o ANIMA MUNDI se originou. Os diretores Cesar Coelho, Aída Queiroz, Léa Zagury e Marcos Magalhães se conheceram neste projeto. Todos compartilhavam o mesmo desejo de criar um festival de animação tão plural como as produções saídas do NFB. Em 1993 essas aspirações se tornaram realidade e em 2012 comemoramos 20 anos de história, muita história.

Todos os cartazes, desde 1993

Todos os cartazes desde 1993 até a última edição. Cada ano um artista diferente, brasileiro ou estrangeiro, é convidado para desenhar o cartaz do ANIMA MUNDI.

Para conhecer mais sobre o NFB acesse o site oficial.

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