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Anima Mundi

Michaela Pavlátová é uma artista com muita coragem. Ela gosta de viver perto dos limites, e aborda sem medo temas ainda polêmicos, como a sexualidade feminina. A animadora tcheca já é figurinha carimbada no ANIMA MUNDI, que este ano trouxe seu mais recente filme, Tram, às telas brasileiras.

A condutora de Tram e seus passageiros: os desejos femininos como pauta na animação

Em Tram, por exemplo, ela aborda a rotina e os desejos de uma condutora de bonde, que se entrega a fantasias imaginárias com seus passageiros. O curta foi feito como parte do projeto Sexperiencies, produzido pela Association Beaumarchais e Procirep, que realizou uma coleção de curtas que exploram a sexualidade feminina.

E esse é justamente um dos diferenciais de Michaela em meio à tradição tcheca de animação: o ponto de vista feminino. Em um país com nomes de peso como Jiří Trnka e Jan Švankmajer – que veio ao Brasil como convidado do ANIMA MUNDI em 95 – era necessário uma visão diferenciada. Em comparação aos artistas anteriormente citados, os interesses da animadora são muito mais pessoais, exploram as motivações emocionais por trás dos dramas banais do cotidiano.

Ela mesmo confessa essa tendência no seu curta-metragem This Could Be Me: “Eu gosto do mundo das coisas comuns. A realidade pode ser mais interessante do que a ficção. (…) Eu gosto de observar as pessoas, de observar seus rostos e criar histórias escondidas atrás de suas palavras“.

Mas ao mesmo tempo, a artista indicada ao Oscar em 92 tem similaridades com a tradição de seu país, que como o escritor especialista em animação Chris Robinson define é conhecido por “uma combinação estranha do racional com o absurdo“. E nisto Pavlátová é especialista. A animadora utiliza-se de associações e símbolos (como a marcha que a condutora de Tram manuseia, assim como os bilhetes que seus passageiros inserem na caixa do bonde) carregados de significado para transmitir suas histórias, que são uma mistura de ironia, humor negro, e claro, um deleite pelo absurdo e pelo erotismo. Quem disse que animação é só para as crianças?

A animadora Michaela Pavtálová não se limita à tradição, e explora temas tabus como o erotismo, sempre com um ponto-de-vista feminino

A animadora Michaela Pavtálová não se limita à tradição, e explora temas tabus como o erotismo, sempre com um ponto de vista feminino

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