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Anima Mundi

À Margem da Maré, curta do coletivo Fotograma 24,

em cartaz na mostra Futuro Animador


Nesses 18 anos de Anima Mundi, muita coisa no que diz respeito à animação mudou no Brasil. Por aqui, estamos sempre falando (e demonstrando!) sobre o quanto o mercado cresceu, sobre o amadurecimento do gênero no Brasil, etc. Mas é válido também mencionar como o festival aos poucos pode colaborar para o amadurecimento do público de animação, e a formação de um gosto mais amplo dentro desse universo tão rico. O depoimento do ilustrador e animador Marcelus Gaio, testemunha da trajetória do festival desde seu início, comprova isso:



Na primeira edição do Anima Mundi em 1993, durante a sessão especial do animador Paul Driessen, presenciei um expectador sair de uma das salas de exibição do CCBB absolutamente exasperado. Acompanhado de uma criança o homem saiu reclamando: Como é que podem chamar isso de desenho animado? A cada edição do festival esta cena se repetia e quase podíamos ouvi-los perguntar onde diabos estavam o Mickey e o Pernalonga?

Muito tempo depois daquela primeira edição do festival ouvi um dos diretores do Anima Mundi dizer que o festival tinha a função de educar o público para que este percebesse que animação é mais do que apenas o cartoon animado dos programas infantis. Do alto da minha arrogância de artista gráfico e, portanto, alfabetizado visualmente, nunca havia pensado na importância educativa do festival. Refletindo ainda mais percebi que não apenas o público do festival crescera vertiginosamente, mas a quantidade de incidentes como aquele que eu havia presenciado diminuía a cada nova edição.

O coreano Where is the Love (2010),

que integra a mostra Animação em Curso


A diferença entre a reação do público hoje e aquelas que eu presenciei nas primeiras edições do festival é evidente. A aceitação de diferentes estilos e linguagens não tem comparação. Mesmo quando não gostam de um ou outro filme as pessoas assistem às sessões até o fim e expressam a sua alegria ou insatisfação através do direito de voto. Poucos são aqueles que saem no meio de uma sessão e a maioria esmagadora dos que assim agem é composta por pessoas acompanhadas de crianças em sessões não infantis!

Democrático, o Anima Mundi deu voz ao público e em contrapartida ganhou um parceiro fiel, participativo e aberto a novas experiências estéticas. Mais do que divulgar a animação o Anima Mundi tem educado o público ao longo dos anos sobre o que é cinema de animação em suas mais variadas vertentes. E pelo crescimento de público ao longo das 18 edições do festival, a estratégia está dando certo.


Marcelus esse ano compõe o Júri Profissional do Anima Mundi. E para quem também se interessa por trabalhos que desafiam os formatos mais tradicionais de animação, a mostra Galeria é uma excelente pedida. Os filmes da seleção estão em exibição num espaço diferenciado com audio e video de qualidade no Centro Cultural Correios, de terça a domingo de 11h30 às 19h30. Em São Paulo, a Galeria vai ser no Memorial da América Latina de quarta a domingo, das 11h às 20h. A entrada é gratuita.
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Telefones:
(55 21) 2543-8860
(55 21) 2541-7499

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