PT | EN

BLOG

Anima Mundi

Sete anos após sua estreia no Anima Mundi, com a animação “Marionetes”, o goiano Wesley Rodrigues faturou seu primeiro prêmio no festival. Trazendo o cerrado como cenário, “Faroeste: um autêntico western” foi eleito pelo Júri Profissional como o Melhor Curta Brasileiro de 2013.

Abaixo, vocês podem conferir nossa conversa com Welsey sobre a carreira, o curta premiado e novo projeto, que já está a todo vapor!

Veja os trailers de todos os vencedores do Anima Mundi 2013!

Na história, o urubu Maverick vê sua família ser assassinada ainda bebê e, nesse contexto violento, acaba tornando-se um “fora da lei”. A animação foi desenvolvida com a técnica 2D digital, estilo que sempre atraiu Wesley.

“Optei por fazer a animação diretamente com cor, sem o traço. Isso deixou o desenho bem solto, e deu uma boa personalidade para o curta”, explica, resaltando o processo de criação orgânico que desenvolveu.

Personagem principal da narrativa, o urubu Maverick surgiu das lembranças de infância do animador. “Me lembro quando ficava caminhando debaixo de um sol muito forte, que eu olhava para cima e via os urubus voando lá em cima e ficava imaginando o que eles estavam vendo aqui embaixo”.

O resto ele conta logo abaixo…

Como e quando você começou a se envolver com animação?

Eu sempre quis trabalhar com animação, mas comecei por um meio mais barato, que era fazendo quadrinhos. Só tive a chance de animar meu primeirocurta quando entrei na faculdade de design gráfico. Eu e alguns amigos da faculdade fundamos um pequeno estúdio, o “Cafe19”, e fizemos o curta “Marionetes”. Levamos nossos computadores e pranchetas para uma sala emprestada. Nosso objetivo era participar do Anima Mundi e estávamos focados especialmente nisso. Ficamos muito felizes quando fomos selecionados em 2006.

Você é de Goiânia. A ambientação de “Faroeste” foi inspirada no centro-oeste do Brasil?

O Faroeste é uma mistura de varias coisas, mas posso dizer que sim. O clima ensolarado, a paisagem ampla, a vegetação mais seca, a terra batida e avermelhada… Esses são aspectos típicos dos cenários no interior de pequenas cidades daqui. Me lembro quando ficava caminhando debaixo de um sol muito forte, que eu olhava para cima e via os urubus voando lá em cima e ficava imaginando o que eles estavam vendo aqui embaixo. E isso serviu de inspiração para que colocasse os urubus na história.

Quanto tempo levou para finalizar o projeto?

Entre idas e vindas foram 1 ano e meio. Comecei sem suporte financeiro e fazia no meu tempo vago. Às vezes eu parava o projeto por conta de outros trabalhos. Mas depois que apareceu uma grana eu me concentrei mais no projeto e pude finalizar.

"Faroeste-um autêntico western" é uma produção goiana, do ARMORIA studio em parceria com a MARTE produções.

Storyboard de “Faroeste: um autêntico western”. Animação foi produzida pelo Armoria Studio em parceria com a Marte Produções

Quais são suas fontes de inspiração? Artistas de referência, etc…

Gosto de observar bastante. Fico atento em tudo que eu possa utilizar como uma ideia. Sempre gostei das gravuras japonesas, acho que tem uma dinâmica incrível. Dentro da animação eu gosto muito dos desenhos do Chuck Jones. Gosto da animação feita em 3D também, mas a animação 2D me atrai mais. Principalmente quando vejo que foi feita quadro a quadro. Esse tipo de animação me impressiona muito. Mas o diretor que mais me inspira atualmente é o Hayao Miyazaki.

Fale um pouco sobre a técnica de animação aplicada em Faroeste:

O Faroeste foi feito praticamente com técnica 2D digital. Quando eu comecei fazer eu queria desenvolver um estilo de desenho que fosse mais rápido, por isso optei por fazer a animação toda diretamente com cor, sem o traço, para não ter que passar pelas etapas de desenho, calque e pintura. E isso deixou o desenho bem solto, e deu uma boa personalidade para o curta. Variei bastante a direção de arte também. Eu queria deixar tudo o mais orgânico possível.

Uma das coisas que mais chama atenção é a representação da morte na animação. Pode contar um pouco sobre o processo de criação do personagem?

Eu queria colocar um elemento místico, e foi ai que eu resolvi colocar a morte. Quem conhece o filme “A viagem de Chihiro”, de cara já vê a referência do personagem “sem rosto”. Mas também coloquei elementos da pintura de Klimt, misturado com um pouco do universo imagético da cultura mexicana. Esse personagem deu um toque enigmático e misterioso para o filme.

Você levanta uma discussão social no filme, mostrando o urubu Maverick como uma vítima do ambiente violento em que nasceu.

Dentro de um contexto de violência a única coisa que impera é a própria violência. Chegando a um ponto onde isso parece ser uma coisa normal. Basicamente quis abordar o aspecto da banalização da violência. Mas tem muitas aberturas para que o publico possa fazer sua interpretação pessoal.

Você tem um blog com ilustrações suas. Alguma delas pode virar um futuro projeto de animação?

Com certeza sim. Meu blog pessoal é como uma gaveta de ideias. São desenhos que eu faço livremente. Aos poucos vou aproveitando as coisas que já coloquei ali. Às vezes tenho uma ideia para um filme a partir de um único desenho, e às vezes tenho uma ideia que vem a partir da junção de vários desenhos que eu ja fiz. Meu próximo curta, que se chama “Viagem na Chuva”, nasceu assim.

Comentários

Voltar

Telefones:
(55 21) 2543-8860
(55 21) 2541-7499

fb-form insta-form tt-form yt-form