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Anima Mundi

Quem conferiu Teisel Pool Metsa, no Anima Mundi 2014? O curta tem um uso de técnicas impressionante e fez muito sucesso por aqui. Sorte nossa que Anu-­Laura Tuttelberg, a diretora, esteve por aqui e deu uma entrevista para a gente! Nada melhor do que conhecer o filme pelas palavras dela, né?

Anu-Laura já fez dois filmes, todos em stop motion com bonecos. Ela anima lá na Estônia, um país com grande tradição na animação. Essa é, justamente, uma das partes do trabalho dela que mais nos interessa. Por isso, não podíamos deixar de perguntar como ela se sente sendo animadora lá:

Me sinto segura e com apoio, porque existem dois grandes estúdios, um deles para animação de bonecos. É exatamente o que eu faço, então sou muito sortuda por ter um estúdio na Estônia onde eu possa pedir conselhos e aprender a fazer coisas, aprender como fazer bonecos, sets e tudo que você precisa para esse tipo de animação.

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Sabia que Anu-Laura começou sua carreira estudando fotografia?

Adivinha quem mais é lá da Estônia? O legendário Priit Parn! Olha que incrível: Anu-Laura teve aulas com ele. Imagina só como deve ser aprender diretamente com esse mito da animação.

O que ele ensina é storytelling; ele tem seu próprio jeito de fazer filmes e tenta ensinar como contar uma história que seja interessante de assistir, que tenha algum tipo de narrativa e que não seja não tão plana e simples, mas sim com muitas camadas. Ele dá tarefas para praticar, para entender como construir uma história (…) Era como uma fábrica de storyboards e pequenas histórias.

As aulas foram de grande ajuda para Anu-Laura. Quando ela precisou pensar em sua própria história, não encontrou muitas dificuldades: as ideias vieram naturalmente.

Também procuramos saber como nasceu a tradição animada na Estônia, na visão de Anu-Laura, claro.

O estúdio de bonecos (Nuku Film) tem aproximadamente 50 anos, um pouco mais, e foi fundado durante o período da URSS, quando a Estônia estava ocupada pela União Soviética. Durante aquele tempo, era muito difícil fazer filmes artísticos ou qualquer forma de arte através da qual você pudesse falar de seus pensamentos e ideias livremente. Para tudo havia censura, então não se podia fazer uma arte livre. Mas com a animação era muito diferente: as histórias são muitas vezes simbólicas e usam personagens que você não pode conectar com pessoas reais (…)

Você podia contar uma história para pessoas locais de modo que elas entendessem o que você estava falando. (…) Você podia fazer filmes completamente políticos e históricos que falassem com as pessoas locais (…) Secretamente, podia-se fazer filmes com o dinheiro de Moscou que eram contra Moscou. Por isso que era muito popular, era uma grande oportunidade para os artistas se expressarem livremente. Acho que foi assim que a tradição nasceu.

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A filmagem levou mais ou menos seis meses, mas tudo, com storyboard e pós-produção, levou um ano e meio.

Sobre Teisel Pool Metsa, Anu-Laura falou da mistura de técnicas. Sabia que o curta tem pixilation, stop motion e live action? O uso que a animadora faz delas é um tanto diferente:

Quado eu faço histórias, vou na direção oposta: é a história que dita as técnicas. A história que veio a minha cabeça precisava dessas técnicas. Eu não me importo em misturar coisas. Eu sempre me inspiro em diferentes mídias e geralmente não encontro inspirações em filmes, mas sim em outras formas de arte, como fotografia, escultura, cerâmica.

Mas as inovações com as técnicas não pararam por aí. Anu-Laura animou com argila, mas não normalmente. Na verdade, o material estaria se movendo constantemente e, por isso, precisava de argila molhada. Ela teve que inventar uma nova maneira, experimentando por quase quatro meses. A resolução foi genial, mas o boneco só podia ser usado por três ou quatro cenas, depois disso estava destruído. Imagina o trabalhão!

Teisel Pool Metsa

Foi preciso fazer uma quantidade enorme de bonecos para o curta!

Olha que legais os elogios que ela fez ao Anima Mundi! Anu-Laura disse que a audiência aqui é muito grande (créditos a vocês, animaníacos). Ela até falou de dois filmes específicos que conferiu por aqui: The Bigger Picture e Laznia.

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O curta polonês Laznia, de Tomek Ducki, nos leva a um mundo de pura fantasia e a várias camadas da realidade, indo desde a melancolia até o frenesi.

Ainda bem que ela já tem uma ideia para sua próxima produção! Anu-Laura está pensando em fazer algo mais abstrato, ainda com bonecos e objetos, mas com um trabalho paralelo à composição musical. Ela gostaria de trabalhar mais próxima à música. Podemos esperar grandes coisas disso, não é mesmo?

Terminamos a entrevista com nossa pergunta de sempre: qual o seu maior sonho hoje?

Viver e trabalhar como uma artista, poder sobreviver fazendo arte e ser muito feliz na vida.

 

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