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O fotógrafo americano Richard Balzer é um amante da animação. Prova disso é sua dedicação em recuperar parte da história das primeiras técnicas, criadas ainda no século XIX.

Há cinco anos o artista vem digitalizando sua enorme coleção de imagens e aparelhos ópticos, como o fenacistoscópio, o praxinoscópios e o zootrópio, adquiridos em mercados de pulgas e antiquários pelo mundo durante suas viagens a trabalho.

Parte das obras acumuladas por quatro décadas pode ser vista no museu online The Richard Balzer Collection. Separamos algumas com seus respectivos aparelhos ópticos para você poder entender melhor como essas engenhocas funcionam!

Ah, e não esqueça de passar as fotos em cada galeria para ver mais imagens e GIFs!

Taumatrópio

Com invenção creditada a John Ayrton Paris, em 1824, o taumatrópio é um dispositivo que demonstra claramente uma ilusão de ótica, abrindo caminho para a ilusão de movimento mas sem no entanto realizar uma animação. Com mecânica simples, constava de um disco com desenhos em suas duas faces, preso a um elástico. Ao girar o disco este girava em alta velocidade e as figuras se fundiam em nossa retina, graças ao fenômeno chamado persistência retiniana, definido e demonstrado cinco anos depois por Joseph Plateau.

Fenaquistoscópio

Nele foram criadas as primeiras cenas animadas da história. O fisiologista belga Joseph Plateau criou o dispositivo em 1831, para demonstrar seus estudos sobre a teoria da persistência retiniana. Formado por dois discos giratórios de papel ligados um ao outro por uma haste ao centro (ou um único disco refletido em um espelho), o Fenaquistoscópio trazia entre oito e dezesseis imagens sutilmente diferentes que, ao serem obturadas pelas ranhuras dispostas nas bordas dos discos, criavam pela primeira vez a ilusão do movimento contínuo.

Zootrópio

Em 1834, o matemático inglês William George Horner adaptou os princípios descobertos por Plateau para uma máquina composta por um tambor circular com fendas laterais, através das quais vários espectadores (ao contrário do fenaquistoscópio, de uso individual) viam desenhos dispostos em seu interior ganharem vida. Quem já foi ao Anima Mundi conhece muito bem esse “brinquedinho”. Uma das oficinas mais populares do Estúdio Aberto permite que o público crie suas próprias animações em um zootrópio.

Praxinoscópio

Quase no século XX, em 1877, Charles-Émile Reynaud, um professor de ciências e pintor francês, revolucionou a forma de exibir animações. Um aperfeiçoamento do zootrópio, o novo Praxinoscópio permitia que ainda mais pessoas assistissem ao mesmo tempo às figuras em movimento. Equipado com um jogo de espelhos interno, lentes e luzes, o aparelho gerava imagens mais luminosas e era capaz de projetar as animações em uma tela.

Ainda mais revolucionário foi o fato de Reynaud adaptar um sistema de rolos com uma longa tira de papel perfurado, similar à película cinematográfica usada ainda hoje, para um espetáculo público derivado do praxinoscópio intitulado “Teatro Ótico”, em 1892. As imagens desenhadas diretamente sobre as tiras não ficavam limitadas ao formato cíclico do tambor do zootrópio, permitindo a criação de filmes de duração ilimitada. O Cinematógrafo dos irmãos Lumiere, criado poucos anos mais tarde, adaptou esta ideia para o uso de imagens fotográficas. Por isso, Émile Reynaud é hoje considerado por muitos o pai não só da animação, mas também do cinema!

Se você quiser ver mais GIFs incríveis como estes que mostramos, acesse o Tumblr de Richard Balzer