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Anima Mundi

O mundo da animação acordou triste. O diretor, roteirista, ilustrador e animador Frédérick Back nos deixou ontem aos 89 anos, em Montreal, onde morava com a família. Durante sua vida deixou um legado que ainda vai inspirar novos animadores por muito e muito tempo.

Back esteve no Anima Mundi em 1995, como convidado especial. O alemão-canadense apresentou seus filmes ecológicos e tocou o coração do público brasileiro não apenas com sua arte refinada, mas com sua personalidade única.

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Seu primeiro curta foi “Abracadabra”, em 1970. Durante esta década, dirigiu outros cinco curtas até concluir “Tout Rien”, com o qual conquistou uma indicação ao Oscar em 1981. Mas a estatueta só veio no ano seguinte, com “Crac!”.  A história aborda a industrialização de Montreal, no Canadá, do ponto de vista de uma simples cadeira de balanço.

Já em 1988 Back ganhou seu segundo Oscar. Dessa vez com o curta “The Man Who Planted Trees”, o primeiro de seus filmes a utilizar diálogos para o enriquecimento do enredo. A quarta e última indicação veio em 1994, com um curta sobre o impacto da poluição em um rio chamado “The Mighty River”.

Abracadabra (1970)

Mas de tudo isso, o que lhe fazia mais feliz era seu olhar crítico, através de seus filmes. Para ele, arte e política deveriam andar juntas. Em seu website pessoal, repleto de informações sobre sua carreira, Frédéric Back escreveu: “Meus filmes se tornaram ‘clássicos’ estudados em universidades e escolas de animação por razões técnicos, artísticas e culturais. Isso vai além de tudo que eu poderia esperar e ainda me surpreende. O que mostra que arte politicamente engajada não é só possível, como vale a pena.”. 

¿Illusion? (1975)

Desde pequeno, em uma pequena cidade que era parte da França mas acabou anexada à Alemanha, Frédéric tinha o hábito de trazer gatos, cães e pássaros doentes para casa. Lá, toda a família se empenhava para fazer com que os pacientes se recuperassem. Foi também nessa época que virou vegetariano e, por fim, um ativista pelos direitos dos animais. O descaso do ser humano com a natureza e os danos causados pela poluição, foram os pilares ideológicos do trabalho de Frédéric Back.

Tout rien (1978)

Ainda adolescente Back foi com a família para Paris seguindo a esperança de seu pai em uma vida mais confortável. E foi graças a isso que o futuro artista conheceu as maravilhas do Museu do Louvre e se lançou no desenho e, mais tarde, na litografia. Mesmo durante a 2ª Guerra, quando sua família sofreu com a ocupação Alemã, Frédéric continuou estudando artes na École des Beaux-ARts de Rennes.

Crac! (1981)

Com o fim da guerra, movido pela imagem passada pelos textos de Jack London e as pinturas Clarence Gagnon, Back se mudou para o Canada. Lá, ele casou com Ghyslaine Paquin, companheira de profissão. Poucos anos depois, o prolífero artista e ilustrador foi contratado pela Radio-Canada para criar ilustrações para a sua primeira emissora de televisão.

The Man Who Planted Trees (1987)

Este ponto marca um divisor de águas na vida de Frédéric Back. E, ao mesmo tempo que o emprego lhe abriu portas para muito além disso, também criou bases sólidas o suficiente para manterem Back e Radio-Canada unidos durante toda a sua genial carreira.

The Mighty River (1993)

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