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Todo homem tem uma história para contar de sua vida. Quando elas são muito boas histórias podem se tornar filmes. E, sinceramente, você imagina um jeito mais legal de contar a história de um animador se não for por uma animação? Não, né?

A vida do diretor Ryan Larkin é um desses exemplos. Como qualquer pessoa, ele passou por altos e baixos. Na verdade, altos muito altos e baixos bastante baixos. E foi isso que fez com que o animador Chris Landreth se inspirasse para criar o curta documentário Ryan, lançado em 2004.

Ryan Larkin foi um animador que teve a história de sua vida contada em um curta documentário de animação

Ryan Larkin foi um animador que teve a história de sua vida contada em um curta documentário de animação

O encontro dos dois aconteceu em 2000 e a ideia de fazer o filme surgiu. A animação é uma interpretação de uma entrevista feita por Landreth a Larkin. O curta inclui também entrevistas com colegas de trabalho de Ryan, além do próprio Chris.

Na animação, feita utilizando recursos de computação gráfica, os personagens têm corpos distorcidos e parcialmente destruídos, coisa comum no trabalho de Landreth, que tenta demonstrar um realismo psicológico para retratar emoções visuais. O filme possui também trechos de animações do diretor biografado. Ryan ganhou mais de 60 prêmios, incluindo o Oscar de Curta de Animação, em 2005.

Confira o curta na íntegra:

Ryan by Chris Landreth, National Film Board of Canada

Mas quem era Ryan Larkin?

Ryan foi animador na National Film Board, desde o início dos anos 1960. Antes disso, quando era adolescente, estudou na Escola de Artes do Museu de Belas Artes de Montreal e mostrou talento especial para artes, escultura e desenho. Quando chegou na NFB chamou atenção de Norman McLaren, que o creditou como um dos mais brilhantes novos artistas do órgão.

Norman tomou Ryan como um protegido e deu a ele os recursos necessários para criar dois curtas-metragens de animação: Cityscape em 1963 e Syrinx em 1964 – os dois foram lançados em 1966. O último filme ganhou reconhecimento mundial e garantiu ao diretor projetos ainda mais ambiciosos.

 

Na década de 1960, Ryan Larkin caiu nas graças de Norman McLaren, que o incentivou a criar dois filmes de animação

Na década de 1960, Ryan Larkin caiu nas graças de Norman McLaren, que o incentivou a criar dois filmes de animação

Poucos anos depois Ryan lançou o filme mais importante de sua carreira, o aclamado Walking (1969) que deu a ele mais do que reconhecimento. O cara virou celebridade no mundo da animação! O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Curta de Animação e Ryan foi até chamado de “Frank Zappa ou George Harrison da animação”.

Com seu filme seguinte, Street Musique (1972), o diretor se consolidou ainda mais como estrela. Pena que não durou muito e a carreira de Ryan começou a afundar. Em 1978, ele pediu demissão da NFB. Nessa época ele era viciado em álcool e cocaína e já não produzia mais.

Durante mais de uma década, Ryan perdeu toda sua obra, suas esculturas, seus materiais de animação e seu dinheiro. Durante um ano ele viveu sem-teto nas ruas de Montreal.

Durnate um período de sua vida, Ryan foi viciado em álcool e cocaína, o que destruiu sua carreira

Durante um período de sua vida, Ryan passou por problemas que o afastaram do trabalho

Foi por conta da da popularidade do filme que ele se tornou famoso novamente e voltou a receber pedidos de seus trabalhos de animação. Ele começou a trabalhar no filme Spare Change, sobre a sua mendicância nas ruas de Montreal. Com sua morte em 2007, o filme autobiográfico foi completado por sua parceira de trabalho Laurie Gordon e lançado em 2008.

Não é uma história digna de filme? 🙂

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