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Anima Mundi

2017 é um ano muito especial para o mundo da animação e, claro, para o Anima Mundi. Em nossa próxima edição em julho, na qual comemoraremos 25 anos, teremos atividades especiais para comemorar o centenário da Animação Brasileira! Afinal, há 100 anos, no dia 22 de janeiro de 1917, aconteceu a exibição do filme “O Kaiser”, feito por Seth (pseudônimo do cartunista Álvaro Marins), que foi o primeiro filme brasileiro de animação da história. O curta, exibido no Cinema Pathé, na Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro, infelizmente se perdeu no tempo.

Em 2013, oito animadores convidados por Eduardo Calvet, diretor do documentário  ‘Luz Anima Ação”, fizeram de forma colaborativa uma nova versão do filme, como uma homenagem criativa livremente inspirada no personagem, sendo cada cena em uma técnica de animação diferente. O curta foi criado a partir do único frame sobrevivente de “O Kaiser”.

Em 1928, o produtor Luiz Seel criou com o animador João Stamato outra animação importante para a história, o curta “Macaco Feio, Macaco Bonito”. Este é o mais antigo curta de animação brasileiro com a cópia preservada. A história iniciada com o Kaiser continuou através dos anos com filmes de animação feitos por artistas incríveis nos mais diversos formatos.


Longas

O primeiro longa de animação brasileiro foi “Sinfonia Amazônica”, de Anélio Latini Filho. O filme, de 1953, levou cinco anos para ser feito. Foram cerca de 500 mil desenhos, todos criados por Anélio, que produziu todas as outras etapas também sozinho. O filme narra sete história folclóricas por meio do personagem Curumi.

Em 1972, Ypê Nakashima criou o longa “Piconzé”, o primeiro longa brasileiro a cores. O animador chegou ao Brasil em 1957 e produziu o longa com uma equipe reduzida, em cerca de seis anos.

Até hoje, 43 longas foram produzidos no Brasil. Maurício de Souza foi um dos responsáveis pela popularização dos filmes brasileiros de animação no cinema comercial. O primeiro foi “As aventuras da turma da Mônica”, em 1983. O sucesso da história foi tão grande que, apenas nos anos 80, foram produzidos cinco longas com a turminha.

 


Confira a lista completa, compilada pelo animador Marcelo Marão, com todos os longas brasileiros já produzidos.

Cinema Experimental

Mas nem só de longas e filmes comerciais é feita a história da animação brasileira. Ao contrário, os filmes experimentais também têm uma história brilhante no Brasil. Um de nossos pioneiros é  Roberto Miller, o “feiticeiro das imagens”. Ganhador de duas menções honrosas no Festival de Cannes, sua principal técnica é a criação de desenho direto na película. “O Átomo Brincalhão”, de 1961, é um de seus filmes de destaque. Outros realizadores seguiram o exemplo de Miller: no Rio de Janeiro, os animadores Stil, Antonio Moreno e José Rubens Siqueira criaram o Grupo Fotograma, que também criou curtas experimentais premiados em festivais. Hoje em dia, no Festival Anima Mundi, esse gênero de obras é premiado pelo Júri profissional na categoria Galeria.

Anos 60

Foi na década de 1960 que aconteceu o boom da animação na publicidade. E Ruy Perotti foi um grande destaque desse mercado, que formou uma geração de animadores voltados para a publicidade, como  Walbercy Ribas, Luiz Briquet e Daniel Messias.

Foi também em 1960 que o artista plástico Chico Liberato começou a fazer animação com colorido regional em sua terra natal, a Bahia. Ele inovou ao usar a estética de cordel em seus curtas-metragens, vários deles censurados pela ditadura da época. Em 1983 produziu o longa “Boi Aruá” e em 2014 “Ritos de Passagem”.

Anos 70 e 80

Já nos anos 70 surgiu uma nova era de animadores autodidatas, a chamada Geração Super 8. Flavio Del Carlo, Cao Hamburger, Marcos Magalhães e Elizabeth, Helmuth Jr., Ingrid e Rosane Wagner, os Irmãos Wagner (PR), começaram a fazer seus filmes de animação na bitola amadora do filme Super-8, que no entanto possuía um circuito de festivais onde a animação se destacava.

Nos anos 80 um acordo entre o National Film Board do Canadá e a Embrafilme criou o Núcleo de Animação do CTAv. Foi nesse projeto que, além de formar novos animadores com professores canadenses, Marcos Magalhães (já premiado em Cannes com o curta Meow!) se juntou a seus ex-alunos Cesar Coelho, Aida Queiroz e Lea Zagury para criarem mais tarde o Anima Mundi.

A crise dos anos 90

No início dos anos 90, o mercado declinou. A crise financeira no Brasil durante a Era Collor fez com que os investimentos no setor caíssem drasticamente. Otto Guerra foi um dos poucos animadores que continuou produzindo seus filmes, incluindo longas-metragens!

O “renascimento” do mercado aconteceu ao mesmo tempo da criação do Anima Mundi, em 1993. A proposta do Festival era incentivar as produções brasileiras e dar oportunidade para que animadores e animaníacos conhecessem diferentes técnicas e produções. Com o crescimento do Festival, artistas começaram a produzir mais para exibir no Anima Mundi, o que colaborou com o fomento e fortalecimento do mercado no Brasil.

A evolução da tecnologia digital no início dos anos 2000 também mudou o panorama, dando mais possibilidades de criação. Animadores começaram a ser desafiados a mudarem de técnica, da tradicional 2D para a 3D. Além disso, os personagens invadiram a publicidade.

 

 

Enquanto isso, o Festival Anima Mundi se expandia tanto em público quanto em produções brasileiras.

Séries de Animação

Ao contrário das crianças nascidas até os anos 90, as crianças de hoje podem consumir uma grande quantidade de desenhos animados brasileiros. “Peixonauta”, da TV Pinguim, “O Amigãozão”, da 2DLab, “Tromba Trem”, do Copa Studio e recentemente “O Irmão do Jorel” são apenas alguns dos exemplos de séries nacionais bem produzidas e populares, algumas feitas em coproduções internacionais e exportadas para o mundo inteiro. O próprio Peixonauta já chegou a 90 países, “O show da Luna” a 74 e várias outras ganharam as crianças de diferentes pontos do mundo. Atualmente, cerca de 20 estão no ar no Brasil.

Expandindo horizontes

O talento dos artistas e dos profissionais brasileiros já era há muito cobiçado também por produtoras e estúdios fora do Brasil. Alguns dos nossos melhores animadores têm participado em posições importantes de grandes produções de estúdios estrangeiros, como:

  • Carlos Saldanha, diretor das franquias “Rio” e “A Era do Gelo”, da Blue Sky
  • Céu d’Ellia, animador em  “Um conto americano — Fievel vai para o Oeste (1991)” da Amblin Entertainement de Steven Spielberg e em “Pateta — O filme” (1995) da Disney
  • Fabio Lignini, hoje animador sênior da Dreamworks, tendo participado em “Como Treinar seu Dragão”, “O Gato de Botas” e outros.
  • Ennio Torresan, hoje artista de storyboard da Dreamworks em “Madagascar”, “Kung Fu Panda” e “Megamente”, entre outros, além de ter dirigido episódios de Bob Esponja na Nickelodeon.
  • Rosana Urbes, animadora em “Mulan”, da Disney
  • Renato dos Anjos, supervisor de animação de “Zootopoia”, “Bolt – Supercão” e “Detona Ralph” na Disney.
  • E a mais nova revelação é Leo Matsuda, que participou na Disney de “Operação Big Hero” e acaba de assinar o curta-metragem “Trabalho Interno”.

O Festival de Annecy, maior de animação do mundo, premiou três títulos brasileiros nos últimos anos:

  • “Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi (Melhor Longa – 2013)
  • “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu (Melhor Longa – 2014)
  • “Guida”, Rosana Urbes (Melhor Primeiro Curta – 2015)


E, claro, ninguém ignora que ano passado concorremos ao Oscar de Melhor Longa de Animação com a indicação de “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, entre os cinco finalistas.


E nos últimos 25 anos…

Desde 1993 o Anima Mundi acompanha essa história. Nascemos como um Festival que tinha como objetivo fomentar o mercado brasileiro. No seu primeiro ano apenas 30 curtas brasileiros foram mostrados. Na última edição, 412 foram inscritos e 121 exibidos. Há 15 anos o Brasil é o país com maior número de filmes participantes.

Nascemos como um Festival e hoje somos muito mais. Formamos novos animadores, animaníacos, educadores… E, claro, essa história ainda vai longe.

Parabéns a todos os animadores brasileiros! Quem souber de mais histórias para acrescentar a este breve resumo de um século muito animado, por favor nos envie! Toda essa história que contamos aqui (e que acompanhamos diariamente) se deve a vocês que sempre se esforçaram para fazer esse mercado evoluir e ser cada vez mais inspirado!

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