Papo Animado

 

Reconhecidos diretores de animação apresentaram seus trabalhos, seguindo-se um debate com o público.

Carlos Saldanha - Carlos já participou diversas vezes do festival, como espectador, animador ou convidado. Seu primeiro curta, Time For Love (Hora de Amar) foi exibido no festival em 1994 e incluído em nossa primeira compilação "O Melhor de Anima Mundi" (ainda em fita VHS). Em 1996 e 1997, Carlos apresentou seminários em computação gráfica, já como representante do estúdio Blue Sky, de Nova York.  Em 2002, ele foi convidado do Papo Animado pela primeira vez. Havia acabado de dirigir Ice Age (A Era do Gelo), em parceria com Chris Wedge. Depois dirigiu o curta-metragem indicado para o Oscar Gone Nutty (2003), co-dirigiu o longa Robots (Robôs, 2005) e o passo seguinte foi assumir sozinho a direção de longas, o que aconteceu com dois imensos sucessos: Ice Age 2: The Meltdown (A Era do Gelo 2, 2006), Ice Age: Dawn of the Dinosaurs (A Era do Gelo 3, 2009).

Carlos Saldanha é o mais recente herói nacional, pela proeza de ter transformado a sua (nossa) cidade em cenário e personagem de mais um enorme sucesso internacional de animação: "RIO" (2011). Ele dividiu conosco, como fazem os amigos próximos, os melhores segredos da construção deste sucesso.

 

David Daniels - Ao fazer oito anos de idade, o americano David Daniels teve um insight quando brincava com suas irmãs: ao cortar um bolo de massinha colorida com uma faca afiada, se encantou com as formas que surgiam em cada fatia. Ele guardou a impressão por 14 anos, até ir estudar na CalArts e produzir seu filme de formatura, Buzz Box, na técnica que batizou de Strata Cut. As imagens se fundiam e se transformavam em outras imagens num ritmo frenético, como se fossem pinturas a óleo em movimento. A partir daí, David foi aperfeiçoando e expandindo sua técnica e arte de contar histórias através de fatias de massa de modelar filmadas quadro a quadro. Assim fez diversas produções, tais como a série de TV PeeWee'sPlayhouse, o videoclipe premiado do Peter Gabriel, Big Time, a retrospectiva sobre o Michael Jackson para a rede de TV ABC, Moonwalker, entre outros. No início da década de 1990, ele integrou a equipe dos estúdios Will Vinton como diretor-chefe especialista em técnicas mistas, onde dirigiu comerciais muito bem-sucedidos. Em 2002, David fundou o Bent Image Lab com Chel White, um estúdio independente premiado, reconhecido pelos filmes e comerciais realizados com técnicas mistas de animação. Em 2006, Tsui Ling Toomer juntou-se à companhia, e em 2009 foi a vez do diretor brasileiro Nando Costa tornar-se sócio do estúdio.

Durante as apresentações, David presenteou o público com fatias ilustradas de massinha.

 

Shinichiro Watanabe - O Japão, ilha onde a Animação tem uma declinação toda especial (Anime!) invadiu mais uma vez o Anima Mundi com a presença de um de seus mais renomados e celebrados diretores e autores. Nascido em 1965 em Kyoto, Watanabe é muito admirado por trabalhos como a emblemática série que deu origem ao longa Cowboy Bebop: the Movie, e o seriado Samurai Champloo.

Watanabe começou aos 20 anos na animação. Entrou para o estúdio Sunrise como assistente de produção, e chegou em 1994 a codiretor de Macross Plus, continuação da bem sucedida série Macross. Tornou-se diretor com Cowboy Bebop, série que estourou no mundo inteiro e deu origem a um longa, Knockin' on Heaven's Door , 2001 (que depois virou simplesmente Cowboy Bebop - O Filme). Em 2003, Watanabe fez parte do seleto grupo de diretores japoneses convidados a interpretar histórias baseadas no universo do filme de ação ao vivo The Matrix na produção cult americana Animatrix. Ganhou duas sequências (Kid's Story e A Detective Story) que ajudaram a reforçar seu status de celebridade internacional da animação. Sua próxima realização foi um seriado que inovava ao fazer um remix da tradição dos samurais com a modernidade do hip-hop - Samurai Champloo, que estreou na televisão em 2004.
Em Michiko & Hatchin, seriado recém-lançado cujo cenário e personagens são inspirados no Brasil, o diretor musical Shinichiro Watanabe lança mão da música brasileira, da qual parece ser profundo conhecedor e admirador.
* A presença de Shinichiro Watanabe em Anima Mundi 2011 aconteceu em parceria com o Instituto Japão POP Br e com a Dô Cultural.

 

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