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O ANIMA MUNDI está no último dia do seu aniversário de 20 anos. Nada melhor para marcar esta data do que uma entrevista com um animador que está presente no festival desde o primeiro ano, em 1993, com Sírius. Além disso, Alê Abreu dirigiu a vinheta de 2010 do festival e já exibiu Vivi Viravento, Passo, comerciais como o Io-Iô Crem e o seu primeiro longa-metragem, Garoto Cósmico.

Agora Alê está com Espantalho no ANIMA MUNDI, escolhido como um dos melhores curtas brasileiros exibidos nas duas décadas de festival, e em fase de finalização do seu segundo longa, que ele espera mostrar no AM do ano que vem.

Alê Abreu ANIMA MUNDI 2012

Alê Abreu com a blusa do ANIMA MUNDI 2010 criada por ele, e o cartaz deste ano atrás: é muita história!

Equipe ANIMA MUNDI – Como é estar com o seu curta Espantalho escolhido como um dos destaques brasileiros do ANIMA MUNDI (o filme de Alê está na sessão de ANIMA MUNDI 20 ANOS BRASILEIROS I)?

Alê Abreu – Incrível, Espantalho é um curta de 98, primeiro ano que teve premiação no ANIMA MUNDI. Ele ganhou Melhor Animação Brasileira no Júri Popular do Rio e de São Paulo, logo foi a primeira animação brasileira a receber um troféu do festival. Eu tenho o maior orgulho disse, mas eu já tinha uma história com o ANIMA MUNDI. Meu filme Sírius de 1993 foi exibido na primeira edição do festival, quando só tinha no Rio de Janeiro. Naquela época o meu curta foi o único filme brasileiro do ano, para você ter uma idéia de como a produção brasileira cresceu, e eu tive a sorte de acompanhar o ANIMA MUNDI durante toda a sua história.

AM – Você mencionou o aumento da produção de animações no Brasil nos últimos anos, na sua opinião qual foi o papel do ANIMA MUNDI neste crescimento?

AA – O ANIMA MUNDI é uma grande vitrine da produção mundial no Brasil, e também um espelho da nossa própria produção. Isso fez com que criasse uma cultura de animação, de fazer filmes animados no Brasil. Sem dúvida abriu muitos caminhos para a animação brasileira.

Capa O Menino que Perdeu a Sombra

Capa do livro infanto-juvenil O Menino que Perdeu a Sombra, ilustrado por Alê

AM – Você fez a vinheta de 2010 do ANIMA MUNDI. Como foi o processo de criação?

AA – Eu tive liberdade total para criá-la. Essa vinheta marcou muito a minha vida como animador, como artista. Fo início ou o final de uma fase, um divisor de águas na minha vida. Marcou um resumo de tudo que eu vivi com o ANIMA MUNDI, que na época fazia 18 anos. Depois dessa vinheta eu fui por outros caminhos, começei o Cuca no Jardim. A vinheta foi criada em cima do símbolo da liberdade, da juventude, da explosão de ter 18 anos. Eu busquei trazer o que eu tinha na minha memória sobre como é a loucura de ter essa idade.

AM – Quais são seus futuros projetos?

AA – Eu não costumo pensar muito no futuro. Agora eu estou finalizando o meu longa-metragem Cuca no Jardim, que deve ser concluído em março do ano que vem, e eu espero poder exibi-lo no ANIMA MUNDI de 2013. Na verdade o meu trabalho como artista tem muitas facetas, e animação é apenas uma delas. Mas animação é uma linguagem que me deixa muito confortável, que eu faço desde criança. Mas eu também trabalho com pintura, faço ilustrações de livros.