Segundo dia de Papo Animado e o convidado desta vez é outro brasileiro. Rodrigo Teixeira faz bonito no exterior há mais de uma década e essa é a primeira vez, desde então, que ele retorna à sua terra natal. Especialmente para o ANIMA MUNDI, claro.

Rodrigo trabalhou na área de efeitos visuais da série True Blood e em longas-metragens como Sin City, Alice no País das Maravilhas, 2012 e O Espetacular Homem Aranha. Mas seu grande destaque até agora foi A Invenção de Hugo Cabret, que levou cinco Oscars, inclusive na categoria Efeitos Visuais.

A Invenção de Hugo Cabret, Making Of

Segundo Rodrigo, apenas 1/4 do filme existiam de fato, todo o resto foi produzido digitalmente

Como supervisor de efeitos visuais do filme, Rodrigo fez a análise do trabalho e avisou ao diretor, o mestre da sétima arte Martin Scorsese: “o prazo para finalizar tudo é de dois anos e meio“. Martin respondeu que daria para ele um ano e meio apenas. A solução foi formar equipes em países espalhados pelo globo, para que a produção não parasse e o filme pudesse ser concluído. Assim, Rodrigo coordenou uma equipe com mais de 500 pessoas espalhadas por países como EUA, Inglaterra, Alemanha, China e Canada. Inclusive o artista contou com exclusividade no ANIMA MUNDI, que será aberto mais um braço da Pixomondo, produtora que fez Hugo, e será em São Paulo.

Mas o caminho de Rodrigo não foi só de glórias. Em 1996 ele assistiu a uma sessão de Independence Day em Porto Alegre e ao ouvir a música da vinheta da Fox no início do filme, sentiu que era aquilo que ele queria: trabalhar com cinema. Mas como passar de espectador para o lado de trás da câmera?

Rodrigo Teixeira

Rodrigo Teixeira respondeu as perguntas do público na parte final do Papo Animado

Naquele momento Rodrigo decidiu que iria imigrar para os EUA. Mas só conseguiu cinco anos depois, e em 2001 ele pisou em Los Angeles com quinhentos dólares no bolso. A primeira coisa que ele fez foram 150 cópias do seu portfólio. Sobraram 350 dólares na carteira de Rodrigo, que andava 22 km até o pólo de estúdios de pós-produção, para economizar o dinheiro do ônibus e distribuir as copias. Cento e quarenta e nove cópias depois e nenhuma resposta, ele deixou a última, já sem muita fé. Mal sabia ele…

Ao bater na porta desse último estúdio, o puxaram para dentro e tudo teve início. Um pouco mais tarde Ben Grossman apareceu em seu caminho. Ben viria a ser um grande companheiro em sua carreira, mas no momento o havia confundido com outra pessoa. Foi assim que Rodrigo conseguiu seu primeiro emprego nos EUA, 45 dias após a sua chegada no país.

Plateia

Foi difícil desgrudar o olhos das imagens incríveis que Rodrigo exibiu

De “bico em bico” este gaúcho conseguiu se sustentar na sua nova cidade, até que um dia Ben o levou a uma reunião na praia, onde um homem o abordou, perguntando por quê ele tinha esse sonho de trabalhar com efeitos visuais em cinema. Rodrigo contou a história de Independence Day, e o homem respondeu que este filme havia mudado sua vida também. Este homem era Volker Engel, o diretor de efeitos visuais do blockbuster dirigido por Spielberg, que lhe rendeu um Oscar.

Rodrigo diz que não é sorte: tudo que ele ouviu o desencorajando, todas as pessoas que disseram que ele não era capaz… Tudo isso foi seu combustível. E a cada “não” que ganhava, ele ficava feliz, porque estava mais perto do seu “sim”. Foi justamente com essa mensagem que ele começou o papo na Praça Animada. Ao entrar na sessão ele perguntou “Quem aqui tem um sonho absurdo? Completamente fora do seu cotidiano?” Muitas mãos foram levantadas e Rodrigo sorriu: “Que bom, porque esse papo é para os sonhadores”.

O Espetacular Homem Aranha, último trabalho de Rodrigo

por: Bruna Cataldi, 18/07/2012